As
formas de comando e dominação, muitas vezes sutis, embora bastante eficazes,
aparecem como significantes que funcionam como agente de discursos em nossa
época. Como elas se apresentam? Qual a
forma do mestre contemporâneo? Essas
foram as questões levantadas por Fernanda Otoni[[2]] na
atividade de Conexão com a Rede Municipal de Saúde Mental, PBH[[3]].
Ela ressalta
que a Jornada da EBP-MG pretende verificar como temos respondido, sob
transferência - ou fora dela -, ao desafio de favorecer, mesmo em situações
nada ortodoxas, como por exemplo no encontro com sujeitos em situação de rua,
as formas de localizar e grampear um modo singular de existência a um nome, um
lugar, um Outro possível. A solução do sujeito, muitas vezes, pode se enredar
de forma distinta daquela proferida pelo discurso das políticas públicas para
todos.
A partir da clínica atual, em que as tradições
e as palavras dos pais não servem de referência, como outrora, para mapear as
formas de laço que funciona para cada um, a psicanálise toma por bússola o
detalhe que irrompe em cada caso, cuja orientação segue as pistas de um desejo
que não seja anônimo em detrimento das propostas prêt-à-porter desenhadas pelo
mestre acéfalo. Como foi o caso de um sujeito cujos recursos simbólicos se
mostraram precários em seu modo de vida errante, porém soube transmitir que o
que acontece em seu corpo o desperta e localiza seu modo sútil de fazer parte
do laço social, cujo arranjo nos esclarece que a maternidade pode não ser uma
solução possível para todos.
[[3]] Atividade
realizada no dia 13/06/2018, “A construção da maternidade possível”, por Izabel
Magalhães (regional oeste, equipe do consultório de rua PBH)
Conexões:
Janela da Escuta
Renata
Mendonça[1]
No dia 06/07 teve lugar no
Janela da Escuta[2]
a atividade de Conexões da XXII Jornada da EBP-MG.
O caso, comentado por Lilany
Vieira Pacheco, demonstra-nos que a anatomia não define o sujeito e coloca em
jogo algo para além da lógica binária. Ele também esclarece que quando a pulsão
não está inserida em um discurso, ela não é mediada pela fantasia. Neste
sentido, o caso nos ensina que “a pulsão fora da transferência e a causa
triunfante” coloca em jogo uma desordem no sentimento de vida do sujeito que
afirma: “meu corpo não me define, sou meu próprio lar”. Seu trabalho consiste
em criar um lugar e um laço em relação à tripla externalidade - a social,
corporal e subjetiva; relançando a pergunta: o que pode o analista quando a
transferência está fora da suposição do saber?

