SIMULTÂNEAS CLÍNICAS
Na XXII Jornada da EBP-MG, as mesas simultâneas
terão um lugar especial, pois, será um momento de discussão somente de casos
clínicos. Reuniremos em cinco salas simultâneas, cada uma com três mesas
consecutivas, casos clínicos correspondentes aos cinco eixos de trabalho da
Jornada. Nossa aposta é que a discussão desses casos nos mostre, através da
nossa prática, o que pode a transferência na época do mestre contemporâneo,
suas possibilidades e seus impasses.
Logo abaixo, vocês encontrarão o texto de
orientação sobre o tema da Jornada com os argumentos relativos a cada um dos
eixos. Os casos enviados deverão ser endereçados a um desses eixos.
XXII JORNADA DA EBP-MG
O
inconsciente e o mestre contemporâneo: o que pode a transferência?
Simone Souto
Diretora de Orientação da
XXII Jornada da EBP-MG
Diretora de Orientação da
XXII Jornada da EBP-MG
O tema escolhido para a
próxima Jornada da EBP–MG situa-se na sequência de uma investigação sobre o
inconsciente iniciada na Jornada anterior. Se antes o inconsciente foi abordado
pelo prisma da diferença sexual, agora interessa-nos discutir as formas de sua
manifestação na época do mestre contemporâneo e, acima de tudo, como a
psicanálise tem respondido, sob transferência e, também, fora dela, às
incidências desse modo de dominação.
Sabemos, desde Freud e com
Lacan, que “o verdadeiro mestre é o Inconsciente”[1].
É ele quem governa nossa vida psíquica, nossos sintomas, ordenando, para cada
um, a realidade em que vivemos e nossa relação com o mundo. Em nossos dias, a
queda dos significantes mestres, ou seja, dos significantes que ordenavam a
nossa civilização e que funcionavam como parâmetros claros de nossos ideais e
de nossas formas de satisfação, tem promovido profundas modificações nos laços
sociais e em nosso modo de viver. O mestre não é mais o mesmo, ele se tornou muito
menos evidente, muito mais opaco e, nessa mesma medida, ainda mais inatacável.
Desvestido dos ideais, dos sentidos e das significações de outrora, como
localizá–lo? Onde ele está? Como nomeá-lo? O mestre contemporâneo apresenta-se
como um significante (S1), sozinho, apartado do sentido, isto é, sem
o elemento que o tornaria passível de ser compreendido, interpretado. Dessa
forma, sem os recursos para localizar os modos de gozo da época a partir do
sentido, o mestre fica reduzido, em nossos dias, a um agente da vontade de
gozo, um imperativo que prolifera no escuro e se multiplica como um enxame, outorgando
seu valor de comando às variadas formas de gozar. Como esclarece Miller[2],
seja qual for o elemento que ocupe o lugar dominante no discurso do mestre na
contemporaneidade – o sujeito do individualismo democrático ($), o objeto a situado no zênite social, ou o S2
sob a aparência da burocracia – em última instância, é sempre o “S1
que definitivamente sustenta o discurso do mestre”[3]
Esse imperativo de gozo está
em consonância com o estilo capitalista conferido pela sociedade de consumo ao
discurso do mestre. Na atualidade, o sujeito encontra-se diretamente
confrontado com objetos de gozo capazes de compensar uma falta que os valores
não cobrem. O discurso do mestre, modificado pelo capitalismo e em seu pacto
com a ciência, fabrica os semblantes a serem gozados por todos ou, como
diz Lacan, os “mais gozar forjados”[4]
e que geram um gozo uniformizado. Esse gozo, incidindo diretamente sobre o
sujeito, transforma-o, por sua vez, também, em objeto a ser contabilizado,
cifrado. Nesse funcionamento, o mais gozar, por um lado, é reintegrado, é o que
se chama acumulação de capital, mas, por outro lado, ele aparece somente como
aquilo que se pode contar e, uma vez que o contamos, ele se dissolve
rapidamente: o que se conta são os resíduos do gozo. Assim, o objeto, por
antecipação, chama frequentemente outro, “revelando sua vocação sempre iminente
de dejeto”[5]. O cúmulo dessa lógica, onde o que é
descartado retorna como capital, pode ser observado a partir de um dos
principais problemas de nossa época: os refugiados. Essas pessoas, “barradas,
triadas e cadastradas, terminam sendo literalmente negociadas, como os 72 mil
sírios, ‘imigrantes irregulares’ que a Turquia receberá, com 6 bilhões de euros,
prometidos até 2018 e provenientes da União Europeia”[6].
Conforme lembra-nos Miller, referindo-se a
Kojève, “o programa agora é conhecido: é a extinção da falta, a
reabsorção das diferenças, o caminho do homogêneo”[7]
e, podemos acrescentar, com o consequente recrudescimento da segregação que
toda homogeneização comporta.
Assim como a figura do
mestre, as formas de manifestação do inconsciente também se modificaram e as
mutações às quais o mestre foi submetido no âmbito do coletivo ressoam também
no individual e, consequentemente, na experiência analítica. Nesse contexto, a psicanálise,
conhecida desde Freud por ter revelado que os sintomas são portadores de um
sentido inconsciente a ser decifrado, tem se deparado, no estado atual da
civilização, com sintomas que não querem dizer nada a ninguém e se apresentam
como um modo de satisfação do qual não se quer abrir mão. Sintomas que se
manifestam no corpo sob a forma de acontecimentos diversos, acontecimentos que
podemos qualificar de insensatos não só porque são desprovidos de sentido, mas
também porque são comandados por um imperativo que ordena uma satisfação sem
limites e que muitas vezes faz prevalecer a pulsão de morte em detrimento da
vida. O inconsciente apresenta-se, portanto, nessa vertente, tão inapreensível
quanto o mestre contemporâneo. Se ele
não tem um sentido, como tratá-lo, ou mesmo como se opor a ele? Pois seria “um contrassenso pensar que uma
análise conduz alguém a seguir seu inconsciente”, bem ao contrário, “uma
análise conduz a uma atualização do inconsciente, precisamente para desativar
tudo que obscurece o sujeito em sua vida pessoal e social, as tendências as mais
sombrias e as mais deletérias, que descobrimos em nós como mais fortes que nós”[8].
Portanto, o analista certamente se submete ao discurso do inconsciente, mas,
como sublinha Miller[9]
com relação ao discurso do mestre, ele se submete para subvertê-lo, sendo a
transferência a única estratégia da qual ele dispõe para vencer essa batalha.
Por conseguinte, os casos que
atendemos hoje em dia nos colocam diante da questão de como conduzir um
tratamento analítico no qual o inconsciente aparece menos em sua vertente de
sentido e mais em sua vertente real e libidinal ou, em outros termos, nos
colocam diante da questão de como conduzir um tratamento analítico quando a
fala analisante se apoia mais na vertente do significante como produção de gozo
do que em seu efeito de significação.
Na XXII Jornada
da EBP-MG, pretendemos, então, recolher, em nossa prática, os índices dessa
mutação do inconsciente na época do mestre contemporâneo no que concerne à
forma de apresentação das neuroses, às configurações da estabilização e da
suplência nas psicoses, ao modo de instalação da transferência, aos fenômenos
que se apresentam fora do laço transferencial, assim como na concepção que
fazemos da interpretação na experiência analítica.
EIXOS DE TRABALHO
Eixo I: As neuroses sem Édipo: qual lugar para o analista?
Hoje em dia, observamos, cada
vez mais, a existência de neuroses nas quais se, por um lado, é possível
localizar uma inscrição da castração, por outro, constata-se que o gozo do
sintoma não se deixa apreender pela significação edípica. Prevalece nesses casos a determinação significante sobre o corpo, trata-se
do sintoma desatrelado do sentido e que não aparece encoberto pelas
significações correlatas de uma primazia dada ao pai em outros tempos: o pai
não é mais o detentor de um sentido capaz de resolver o enigma do gozo. Assim,
somos levados a considerar uma estrutura neurótica cujo sintoma não seria mais
tecido na trama edípica. É interessante notar que o próprio Freud, em sua
conferência “O estado neurótico comum”[10],
faz menção a uma neurose desse tipo, denominada “neurose atual”. Nela, os
sintomas “se manifestam predominantemente no corpo”[11],
mas, ao contrário das psiconeuroses de transferência, “não possuem nenhum
sentido, nenhum significado psíquico”[12].
Freud a considera como uma espécie de núcleo da neurose, isto é, o substrato, o
osso, o cerne de todo sintoma neurótico. Será que essa descrição das “neuroses
atuais”, feita por Freud no início do século XX, pode nos ajudar a esclarecer as
“neuroses atuais” do século XXI? Nessa mesma vertente, também Lacan, no
Seminário 23, faz menção à “histeria rígida” como uma nova forma de
apresentação da histeria na qual o sintoma se realiza “de um modo real”[13].
Esse modo real nos remeteria ao sintoma histérico, não mais em sua plasticidade
derivada de sua inserção nas
significações, mas como iteração do mesmo, do Um-sozinho que não se liga a
nada. Podemos situar, nessa mesma direção, algumas manifestações do gozo na neurose
obsessiva: a agressividade e alguns mecanismos de defesa nela encontrados, tais como o isolamento e o tabu
de tocar que, hoje, não fazem apelo à decifração, colocando-se em perfeita
consonância com nossa época.
Por fim, uma chave de leitura
imprescindível para situar o que seria uma neurose sem Édipo diz respeito ao
novo lugar que Lacan confere ao falo, não como resultado da metáfora paterna,
testemunho dos efeitos de significação, mas como um semblante que dá testemunho
de um real[14]. O falo nessa nova
posição, conforme propõe Laurent, estaria “fora da metáfora paterna”[15],
ou seja, separado de toda significação edípica.
Fora do Édipo e, portanto, das
imagos parentais, que lugar dar ao analista? Podemos falar de uma
“desedipianização” da transferência?
Eixo II:
O mito individual na psicose
Alguns aspectos prevalentes
nas psicoses nos dias de hoje como, por exemplo, a não inserção, o desligamento
e a identificação ao dejeto, nos revelam a presença de um gozo não localizado, excluído
do discurso e com o qual o sujeito se identifica. Trata-se justamente do que
faz objeção ao laço social, isto é, de um gozo que se apresenta frequentemente
como perturbador, inconveniente e insólito. Em contrapartida, observamos uma
prevalência das nomeações ofertadas pelo Outro social, sustentadas em
identificações horizontais que não se apoiam em uma identificação vertical
referida a um ideal, tornando-se, por isso mesmo, propícias para a promoção da inserção social a partir do que Lacan designou
como “nomear para”[16].
São nomeações ligadas a uma função social, procedentes exclusivamente da
identificação significante. Se, por um lado, tais nomeações podem servir à
psicose como ancoragem, inserindo, de alguma forma, o sujeito em um laço
social, em um grupo, por outro lado, como nos demonstra Miller[17],
elas procedem por uma exclusão do gozo. Assim, o Outro social, apoiado no
mestre contemporâneo e em suas instituições, tende a excluir o que há de mais
próprio e singular em cada um, seu modo de gozo. A identificação reina sem
divisão, é o que podemos chamar de adaptação que, não raramente, resulta no
retorno do pior, pois o gozo excluído acaba por se alastrar no escuro. Se
podemos pensar na identificação como uma orientação possível para o tratamento
da psicose, isso não deve se dar às custas de uma exclusão do gozo. Miller, no
texto “A salvação pelos dejetos”[18],
esclarece de forma muito precisa a diferença entre as identificações produzidas
unicamente a partir das nomeações ofertadas pelo Outro social e aquela que pode
advir de um tratamento orientado pela psicanálise. Neste último, segundo ele,
não se visa unicamente obter uma identificação ao significante mestre, trata-se
também, de obter “uma identificação de gozo no lugar do Outro, quer dizer, o
equivalente do que a fantasia proporciona tanto ao neurótico como ao perverso”[19].
Desse modo, é preciso “desprender do gozo uma parcela que possa constituir
objeto e, inicialmente, objeto de uma narração, de um roteiro – como o roteiro
de uma fantasia – de uma storytelling,
de uma lenda, daquilo que Lacan chamava de ‘mito individual’ e que pode fazer
as vezes de fantasia”[20].Nesse
contexto, o que toma o primeiro plano são as experiências passíveis de dar
lugar a diferentes modos de gozo e não as certezas obtidas das identificações[21].
Interessa-nos, portanto,
recolher da nossa pratica com as psicoses essas pequenas inserções no discurso,
que podem ser construídas sob transferência, esses pequenos enunciados do
impossível, passíveis de localizar o gozo de uma forma diferente daquela
oferecida pelo mestre contemporâneo e, também, da tentativa de criar um pai
através do delírio.
Eixo
III: A pulsão fora da transferência e a
causa triunfante
Neste eixo, pretendemos
discutir as manifestações da pulsão que não se encontram ligadas a uma fantasia
ou mediadas pelo sintoma e que, portanto, apresentam-se como pura pulsão de
morte. São situações que, como demonstra Miller[22],
ultrapassam a zona do amor e do ódio inseridos de alguma maneira em um
discurso, dando lugar a uma violência que não encontra nenhum substituto capaz
de se interpor entre o sujeito e seu ato. Uma violência desligada de toda culpa,
de todo tipo de mortificação ou castração e que, ao contrário, é acompanhada de
uma sensação de triunfo que torna difícil e, por vezes, até mesmo impossível,
qualquer intervenção. Podemos citar, como exemplo, os atos terroristas, assim
como muitos atos racistas, os assassinatos imotivados, a violência do tráfico
de drogas, etc... Embora de naturezas distintas, cada uma dessas situações
apresenta a tirania de um gozo que, por atentar contra a vida humana, é inaceitável.
Localizadas, pelo menos a princípio, fora de um campo transferencial, que
posição esperar dos analistas com relação a essas formas de manifestação da
pulsão? O que pode eventualmente ser
abordado pela psicanálise e o que só nos resta nos posicionarmos contra?
Eixo IV: O amor que faz falar o sintoma: o parceiro
analista
Atualmente,
encontramos cada vez mais, em nossa clínica, casos nos quais é possível
identificar claramente o sintoma como uma presença real, um S1
isolado que fixa o gozo no corpo, apresentando uma forma de satisfação, um gozo
enigmático, que pode precipitar o
sujeito até a análise. No entanto, a via
para o que poderíamos considerar “a solução do enigma”, ou seja, a via pela
qual a experiência analítica se instaura e o inconsciente se realiza através da
produção de um sentido torna-se cada vez menos evidente. Como resultado, nos
deparamos, por exemplo, com uma dificuldade para
localizar as entradas em análise e, consequentemente, uma eternização das
entrevistas preliminares.
Nesses
casos, talvez seja preciso reconhecer,
na ausência de um sentido inconsciente,
a presença de outro estatuto do inconsciente nomeado por Miller a partir de
Lacan como “inconsciente real”[23].Trata-se
do inconsciente tomado a partir de “lalíngua” e que nos coloca diante de uma
diferença fundamental entre o que pode ser considerado a falta de um sentido e
o que podemos constatar como a presença de um sem sentido a ser manejado. São
casos onde não se nota uma crença prévia no Outro, mas, ainda assim,
constata-se, da parte do analisante, um endereçamento da palavra ao analista e,
em contrapartida, é preciso, da parte do analista, uma aposta na palavra do
analisante, mesmo que esta não esteja apoiada no sentido. Nesse contexto, as palavras
aparecem em sua materialidade, em sua atualidade e não como representações inconscientes
recalcadas.
Para
fazer falar o sintoma assim apresentado, isto é, como um gozo autoerótico que a
princípio “não quer dizer nada a ninguém”[24],
o analista conta apenas com o amor de transferência. A transferência passa,
então, por uma inversão, na qual o amor é colocado em primeiro plano: não é o
sujeito suposto saber que aparece como o pivô da transferência suscitando o
amor, mas é a transferência que se torna o pivô do sujeito suposto saber: “para
dizê-lo de outro modo, o que faz existir o inconsciente como saber é o amor”[25].
Colocando-se como um parceiro ao qual a fala pode ser dirigida, o analista
suscita uma fala que, se, por um lado, implica um esforço para permanecer a
mais próxima possível daquilo que se experimenta como gozo, por outro lado, convoca
sempre e a cada vez à invenção de uma palavra agalmática capaz de atravessar o
real do sintoma possibilitando, dessa maneira, “o transporte do inconsciente
para fora da esfera solipsista”[26].
Trata-se,
portanto, do amor que faz existir o inconsciente como falasser, permitindo a passagem do gozo do Um para o gozo da fala,
o que não necessariamente resulta em uma produção de sentido. Essa forma de conceber o inconsciente a partir
do amor recoloca a importância da psicanálise no mundo do mestre contemporâneo
porque, ao fazer ressoar a fala, a experiência psicanalítica pode oferecer
outra maneira de viver a inexistência da relação sexual e o autoerotismo, uma
maneira que não cura a solidão do Um, mas que comporta uma abertura para o
encontro com algo mais, com um mais ainda..
Quais as
implicações dessa forma de conceber a transferência? Quais são seus impasses? O
que muda com relação ao lugar do analista? Como pensar a entrada em análise? E,
os finais de análise, o que eles nos ensinam a esse respeito?
Eixo V: Interpretação: a heresia do analista.
Se o sintoma, na época do
mestre contemporâneo, apresenta-se cada vez mais refratário à interpretação
pela via do sentido, quais seriam, então, as possibilidades de intervenção do
analista?
Conforme nos esclarece
Miller[27],
a psicanálise transcorre no âmbito do recalcado e de sua interpretação graças
ao sujeito suposto saber. Mas, no século XXI, trata-se para a psicanálise de
explorar outra dimensão: a defesa contra o real sem lei e fora do sentido. Segundo
Miller[28],
o inconsciente do último Lacan está no âmbito do real, de modo que, para entrar
no século XXI, nossa clínica deverá pautar-se, como matriz da operação
analítica, pela desmontagem da defesa contra o
real. A defesa qualifica a relação inaugural do
falasser com o real: diante do real, o falasser responde criando, como defesa,
um sintoma. Mas, no que concerne ao sintoma, a defesa está do lado do gozo e
não da representação recalcada. Nesse sentido, tomar a desmontagem da defesa
como matriz da operação analítica significa operar a partir de intervenções
capazes de incidir sobre o gozo e não apenas sobre o sentido. Por isso, no
último ensino de Lacan, a interpretação ganhará um novo estatuto: sem sentido,
sem valor e muito mais próxima de um fazer que de um saber. A interpretação torna-se
“corte”, “equívoco”, “manipulação”[29],
incidindo sobre a materialidade e a substância de lalíngua como um forçamento a
partir do qual um psicanalista pode fazer ressoar outra coisa que o sentido.
Portanto, podemos dizer
que, em contraposição aos pós-freudianos, o analista lacaniano não se define
por sua neutralidade, ele é habitado por “um desejo de alcançar o real, de
reduzir o Outro a seu real e liberá-lo do sentido”[30].
Dessa forma, se a interpretação pode ser considerada a heresia do analista, é
porque ela atualiza, a cada vez, sua escolha pelo real. Vinhetas e situações
clínicas poderão nos ajudar, então, a esclarecer como o analista interpreta
hoje.
Trabalhos para Simultâneas clínicas
O prazo para o envio dos casos é 30 de agosto de 2018
Enviar para:
ssouto.bhe@terra.com.br com cópia para lauralustosarubiao@gmail.com
Instruções
para a redação dos casos: Letra Times New Roman; corpo 12; espaço 1,5;
texto justificado; notas de rodapé na própria página (e não no final do
texto); tamanho máximo do texto 5500 caracteres, incluindo espaços, notas de
rodapé e bibliografia.
Serão aceitos somente trabalhos de autores inscritos na XXII Jornada EBP-MG |
[1] MAHJOUB, Lilia.
Éditorial. Quarto. Revue de l’École de la
Cause Freudienne, ACF, en Belgique, n.58, décembre de 1995, p. 5.
[2] MILLER, Jacques-Alain. “Questão de Escola:
sobre a garantia”. Pronunciada no dia 21 de janeiro de 2017 na “Tarde da
Garantia” da École de la Cause Freudienne e difundida pela lista eletrônica
EBP-VEREDAS no dia 2 de março de 2017.
[3] MILLER, Jacques-Alain. “Questão de Escola:
sobre a garantia”...
[4] LACAN, Jacques. O seminário. Livro 17: o avesso da psicanálise (1969-1970). Rio de Janeiro: Zahar,
1992, p. 76.
[5] MILLER, Judith. La
resistible ascension du gadget. Bibliothéque Confluents : la
psychanalyse et le gadgets. Paris:
ACF-Île de France, juin de 1994.
[6] ROSA FILHO, Silvio. Fim de uma zona de espera
sem fim. Cult, n. 220, novembro 2017,
p. 55.
[7] MILLER, Jacques-Alain.
Bonjour sagesse. Barca!, n. 4, 1995,
p. 193.
[8] ALBERTI, Christiane. Il
n’y a que ça , le lien social. Lacan Quotidien, n. 732, 4 juillet de 2017 Disponível na
internet (acesso em 10 de dezembro de 2017):
[9] MILLER, Jacques-Alain. “Questão de Escola:
sobre a garantia”...
[10] FREUD, Sigmund. O estado neurótico comum
(1917). In: Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund
Freud, v. XVI. Rio de Janeiro: Imago, 1976, p. 441.
[11] FREUD, Sigmund. O estado neurótico comum
(1917)..., p. 451.
[12] FREUD, Sigmund. O estado neurótico comum
(1917)..., p. 451.
[13] LACAN, Jacques. O seminário. Livro 23: o sinthoma (1975-1976). Rio de Janeiro:
Zahar, 2007, p. 102.
[14] LACAN, Jacques. O seminário. Livro 23: o sinthoma (1975-1976)..., p. 101-114.
[15] LAURENT, Éric. Falar com seu sintoma, falar
com seu corpo. Argumento para o VI ENAPOL. (22 e 23 de novembro de 2013).
Disponível na internet (Acesso em 10 de dezembro de 2017):
[16] LACAN, Jacques. Le séminaire. Livre XXI, leçon du 19
mars de 1974 (inédito).
[17] MILLER, Jacques-Alain. Le
salut des déchets. Mental, n. 24,
avril 2010, p. 9-15.
[18] MILLER, Jacques-Alain. Le
salut des déchets...
[19] MILLER, Jacques-Alain. Le
salut des déchets..., p. 14.
[20] MILLER, Jacques-Alain. Le
salut des déchets..., p. 14.
[21] Ver: LAURENT, Éric. O avesso da biopolítica. Uma escrita para o gozo. Rio de Janeiro:
Contra Capa, 2016.
[22] MILLER, Jacques-Alain. Crianças violentas. Opção lacaniana, n. 77, agosto 2017, p.
26.
[23] Ver: MILLER,
Jacques-Alain. El ultimísimo Lacan (2006-2007). Buenos Aires:
Paidós, 2013.
[24] MILLER, Jacques-Alain. Sutilezas
analíticas (2008-2009).
Buenos Aires: Paidós, 2011, p. 106.
[25] MILLER, Jacques-Alain.
Uma fantasia. Opção Lacaniana, n. 42, fevereiro 2005, p. 18.
[26] MILLER,
Jacques-Alain. Intuições Milanesas II. Opção
lacaniana on line,
nova série, ano 2, n. 6, novembro de 2011. Disponível na internet (Acesso em 10
de dezembro de 2017):
[27] MILLER, Jacques-Alain. O real no século XXI. Opção lacaniana, n. 63, junho 2012, p.
11-20.
[28] MILLER, Jacques-Alain. O real no século XXI...
[29] Ver: MILLER, Jacques-Alain. El ultimísimo Lacan
(2006-2007)...