Enxame #4











Editorial

Maria Bernadete de Carvalho


Chegamos, com este, ao quarto boletim preparatório para a Jornada de outubro, “O inconsciente e o mestre contemporâneo: o que pode a transferência?”, com contribuições valiosas para irmos desdobrando as questões abertas pelo tema geral e pelos diversos eixos de trabalho propostos, disponíveis no Boletim Extraordinário.

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A pulsão fora da transferência e a causa triunfante 

Ram Mandil 

Pretendemos levantar aqui algumas questões suscitadas a partir da pergunta que Simone Souto nos propõe no argumento para a próxima Jornada da EBP-MG, a saber: como a psicanálise tem respondido, sob transferência e também fora dela, às incidências do discurso do mestre contemporâneo. Mais especificamente, como se haver com as manifestações da pulsão que surgem desconectadas da fantasia ou sem a mediação do sintoma?  Ou ainda, que posição esperar dos analistas em relação a algumas formas de violência que parecem derivar de uma satisfação da pulsão em que não é possível encontrar qualquer relação com a culpa, com a castração ou com a divisão subjetiva?

De pronto, uma pergunta: estaria ao alcance da psicanálise responder às incidências do discurso do mestre fora do âmbito da transferência?  











Blader Runner 49 – o choque da língua com o corpo

Lilany Pacheco



Blade Runner 49 é continuação de Blade Runner – o caçador de androides, filme de ficção científica “neo noir”, norte americano, exibido em 1982, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford. Blade Runner – o caçador de androides, transportou o expectador para a cidade de Los Angeles, no ano de 2019. No início do século XXI, uma grande corporação, Tyrell, desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia, e, de volta à Terra, são considerados ilegais e caçados, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runners, têm ordem de atirar para matar os replicantes encontrados na Terra. 
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Perturbar a defesa

Lúcia Grossi dos Santos

Esta expressão se encontra no livro La experiência de lo real en la cura psicoanalítica, livro que reúne as transcrições das aulas do Seminário de Miller relativas ao período de novembro 1998 a junho de 1999.  O texto é estabelecido por Graciela Brodsky que dá título a cada uma das aulas.

Com seu estilo esclarecedor, Miller inicia a primeira aula definindo o real, e na segunda trabalha a diferença entre o real e o semblante. No final desta aula temos a seguinte afirmação:

“Ou bem a psicanálise é impossível, quer dizer, só explora as relações do significante e do significado que só valem como semblantes em relação ao real, ou bem a psicanálise é uma exceção capaz de perturbar num sujeito a defesa contra o real” (p. 34).

O que seria “perturbar a defesa” como matriz mesma da operação analítica? Não teremos imediatamente a resposta, apesar da próxima aula ter sido, assim, nomeada por Brodsky. 
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Michelle Sena entrevista Marina Recalde 
Como o discurso capitalista incide em sua clínica?


A transferência e o tempo

Inês Seabra Rocha 



O desconhecimento, por parte do sujeito, disso que o determina marca a experiência psicanalítica. A verdade do sujeito está naquilo que ele diz, mas não é toda, nem toda apreendida por ele. Com a transferência, vemos configurar-se, de um lado, o tempo que passa das sessões, do tratamento e, de outro, o tempo que não passa do inconsciente. Testemunhamos, ainda, o tempo da atualização, na experiência psicanalítica, da realidade do inconsciente, que retorna nas repetições em ato do sujeito.

Algo se passa na transferência que irá instaurar um tempo de saber. Portanto, a transferência é o motor do tratamento, que o sujeito inaugura com sua pergunta ao analista, é um tempo de construção de um saber sobre o seu sofrimento. A transferência aparece, paradoxalmente, em sua face de resistência quando o sujeito se aliena no saber que vem do analista, ou quando as paixões do ser, amor, ódio ou ignorância, imperam sobre as palavras, sobre a tentativa de elaboração do sujeito, obstaculizando o curso das associações.
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Do mestre antigo ao mestre contemporâneo: o que mudou?

Bernardo Jefferson de Oliveira



Que mestre antigo é esse cujas mudanças buscamos entrever na contemporaneidade?

São muitos os tipos de mestres antigos: sábios, gurus, sacerdotes, profetas, reis, heróis, guerreiros, curadores, artistas, filósofos. Dependendo de qual destes temos em mente, veremos mais ou menos semelhanças, continuidades ou transformações. Esses tipos variados de mestres se distinguem em muitos aspectos, e podemos encontrá-los no mesmo passado. Alguns desses aspectos – suas práticas, objetivos, estratégias discursivas, relações de poder, etc. - estão tão misturados e presentes nos dias atuais, que não é fácil apreciar as transformações. 
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Conexões: Rede Municipal de Saúde Mental (PMBH)

Marcelo Quintão


As formas de comando e dominação, muitas vezes sutis, embora bastante eficazes, aparecem como significantes que funcionam como agente de discursos em nossa época.  Como elas se apresentam? Qual a forma do mestre contemporâneo?  Essas foram as questões levantadas por Fernanda Otoni na atividade de Conexão com a Rede Municipal de Saúde Mental, PBH.

Ela ressalta que a Jornada da EBP-MG pretende verificar como temos respondido, sob transferência - ou fora dela -, ao desafio de favorecer, mesmo em situações nada ortodoxas, como por exemplo no encontro com sujeitos em situação de rua, as formas de localizar e grampear um modo singular de existência a um nome, um lugar, um Outro possível. A solução do sujeito, muitas vezes, pode se enredar de forma distinta daquela proferida pelo discurso das políticas públicas para todos.
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Conexões: Janela da Escuta
Renata Mendonça




No dia 06/07 teve lugar no Janela da Escuta a atividade de Conexões da XXII Jornada da EBP-MG.

O caso, comentado por Lilany Vieira Pacheco, demonstra-nos que a anatomia não define o sujeito e coloca em jogo algo para além da lógica binária. Ele também esclarece que quando a pulsão não está inserida em um discurso, ela não é mediada pela fantasia. Neste sentido, o caso nos ensina que “a pulsão fora da transferência e a causa triunfante” coloca em jogo uma desordem no sentimento de vida do sujeito que afirma: “meu corpo não me define, sou meu próprio lar”. Seu trabalho consiste em criar um lugar e um laço em relação à tripla externalidade - a social, corporal e subjetiva; relançando a pergunta: o que pode o analista quando a transferência está fora da suposição do saber?









AGOSTO

Dia 09 - Horário: 20:30hs

5º Seminário Preparatório da XXII Jornada EBP-MG

O AMOR QUE FAZ FALAR O SINTOMA: O PARCEIRO ANALISTA

Jésus Santiago (AME , membro da EBP/ AMP)

Coordenação: Sérgio de Campos (membro da EBP/AMP)

Local EBP/MG 



DIA 23 - Horário: 10:30hs

“Mães em crise: e seus filhos?” (Maria Elizabeth Pontes -Psiquiatra do Centro de Acolhimento à crise do IRS/ FHEMIG) e Rhayane Medeiros (Psicóloga, Residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Mental do IRS/ FHEMIG) 

Comentário: Cristina Drummond (AME, membro EBP/AMP)

Coordenação e apresentação das XXII Jornadas EBP-MG: Juliana Meirelles (Direção Clínica do Instituto Raul Soares/ Fhemig e Membro Aderente da EBP- MG)

Responsável pelo registro fotográfico e notas para o Boletim Enxame:   Elaine Maciel

Local: Auditório Francisco Paes Barreto/ IRS , Av do Contorno 3017, Santa Efigênia