JORNADA EBP-MG – O INCONSCIENTE E O MESTRE
CONTEMPORÂNEO:
O
que pode a transferência?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – BOLETIM 02
EIXO I: NEUROSES SEM ÉDIPO: QUAL O LUGAR DO ANALISTA?
LAURENT, Éric.
Pode o neurótico prescindir do pai? In: A SOCIEDADE DO SINTOMA, a psicanálise
hoje. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2007, p. 51 a 58.
Laurent nos orienta que Lacan, em sua obra, revisa as
ponderações pós – freudianas sobre a questão da identificação com a mãe sob a
ótica do gozo da mulher, o que lhe permitiu questionar a consonância do
complexo de Édipo em relação aos três pontos: o complexo de castração,
castração e privação e o Édipo a partir da privação.
EIXO II: MITO INDIVIDUAL NA PSICOSE
LAURENT, Eric. Disrupção do gozo nas
loucuras sob transferência. Conferência proferida no XI Congresso da Associação
Mundial de Psicanálise – As psicoses ordinárias e as outras sob transferência”
em abril de 2018. Disponível em:
A partir do último Lacan e das indicações de
J.A.Miller, Éric Laurent aborda o lugar
do analista na clínica das loucuras sob
transferência, onde a disrupção do gozo
pode vir a perturbar as estabilizações. Salienta-se aqui uma reformulação
lacaniana dos termos clássicos dos instrumentos da operação analítica: o
Inconsciente, a Transferência, a Interpretação. Para se pensar em uma prática
analítica que leve em conta as loucuras sob transferência e o modo do analista
aí se posicionar, propõe-se novos termos: o falasser (parlêtre), o ato, e a jaculação submetida à lógica do Há Um (Yad’l’un).
VIEIRA, Marcus
André. Quando “está amarrado” (ça
tient). Apresentado no XI Congresso da Associação
Mundial de Psicanálise – As psicoses ordinárias e as outras sob transferência”
em abril de 2018. (Inédito)
Marcus André contribui com a discussão proposta pelo eixo “O mito
individual na psicose”, à medida que nos faz notar que “Se antes o absurdo da
vida ganhava sentido por uma narrativa épica da exceção paterna que se podia
emular, agora a experiência de um gozo estranho no mais íntimo do sentimento de
vida tende a encontrar seu apoio nos discursos e práticas contemporâneas de manipulação
contínua do corpo”.
CASULA, Fernando. Loucura e responsabilidade: consentimento às ficções
jurídicas. Belo Horizonte: Ed. Artesã, 2017.
O mito tem, segundo Lacan, no conjunto, um caráter de
ficção. Encarna o meio dizer, lei interna de qualquer espécie de enunciação de
verdade. Partindo do real da clínica com psicóticos infratores, esse livro
discute os modos de construção da ficção singular de responsabilidade, composta
pelo reconhecimento da verdade de gozo de um sujeito e elementos tomados, paradoxalmente,
da ficção jurídica universal.
EIXO III: A
PULSÃO FORA DA TRANSFERÊNCIA E A CAUSA TRIUNFANTE
Miller, J.-A. Extimidad. Buenos Aires: Paidos, 2010. _____. “Efeito
do retorno à psicose ordinária”. In: Opção Lacaniana online nova série.
Ano 1, n.3, nov.2010. Disponível em:
Miller retorna à expressão cunhada em 1998, na
Convenção de Antibes: “psicose ordinária”. Esclarece se tratar de um
significante com o qual procura provocar ecos na clínica; não se trata de outra
estrutura ou algo entre a neurose e a psicose. É antes uma “desordem no
sentimento de vida do sujeito” que pode ser situada na maneira como cada um se
arranja em relação à tripla externalidade: a social, a corporal e a subjetiva.
expressão à
rejeição à diversidade e a recusa da alteridade nas suas mais variadas formas.
Brousse, M.H. Democracias sem pai. In: Lacan Quotidien,
n.759. Diante da “discórdia do discurso universal” a autora propõe uma
separação “dos significantes mestres que coletivizam” e sublinha que não há
“Nós” dos corpos falantes. Não se trata, entretanto, de se situar do lado de
uma exceção, mas de considerar os falasseres como solidões numerosas e
irremediáveis, que fazem série e não grupo. A experiência analítica promove a
cura do “Nós”, ao preço de uma perda de sentido que é feliz e promove uma outra
relação consistente com o universal. Isso é desejável para a democracia.
VII ENAPOL: A
biopolítica e as novas segregações. São Paulo, set. 2015.
Redatora Lucíola de Freitas Macedo. Disponível em:
Os autores começam indagando o significante “novas”; no
caso, em torno das segregações, mas também do novo capitalismo, o que irá
conferir à segregação um novo estatuto. Há o rechaço do simbólico e a “ambição
suprema do biopoder em produzir em um corpo humano, a separação absoluta entre
o ser vivo e o ser que fala”. Alguns desdobramentos disto são o retorno das religiões e das
ideologias totalitárias assim como a ascensão vertiginosa do consumo em escala
planetária, como o novo imperativo homogeneizador de gozos, o que só fará dar
maior
EIXO IV:
O AMOR QUE FAZ FALAR O
SINTOMA: O PARCEIRO ANALISTA.
LAURENT, Eric.
Nuestra tarea es revelar la mentira de la civilización. In: El goce sin rostro, Psicoanalisis y política de las
identidades. Buenos
Aires: Tres Haches, 2010.
A Primeira Guerra Mundial pôs
fim a uma época marcada por repressões sexuais, em que as mulheres e as
crianças não podiam tomar a palavra. Hoje vivemos uma outra situação em que nos
deparamos com o empuxe à experiência sexual, o empuxe das mulheres e crianças a
tomarem a palavra. Há, ainda, uma nova demanda à psicanálise. Nesta época não
se acredita mais no mestre e os gadegts oferecidos pela ciência produzem o
efeito, sobre os sujeitos, de uma “desrealização da vida”.
“A psicanálise é uma
alternativa a esse frenesi e ao fato de que a ciência e, sobretudo, a
farmacologia avançam sobre todos os aspectos da vida”(p.13). (....) “a tarefa
da psicanálise é chamar a atenção sobre as mentiras da civilização” (p.
15).
LAURENT, Éric. El tratamento de la angustia postraumatica: sin
estándares, pero no sin princípios. In: _____. Lost in Cognition: El lugar de la pérdida em la cognición. Buenos Aires: Colección Diva, 2005, p. 117-135.
Nesta conferência proferida em maio, após o ataque
terrorista a Madri em 2004, pergunta-se o que pode a psicanálise no “tratamento
do trauma” em que não há um tratamento standard para o mesmo. Sendo o sintoma a
resposta do sujeito ao traumático do real e a função do traumatismo produzir
equívoco, o analista seria um parceiro que traumatiza o discurso comum para
autorizar o outro discurso do inconsciente. Assim, o psicanalista se dirige
para além da angústia, no tratamento do um a um, para que seja possível fazer
frente ao traço do real que toca o singular de cada sujeito.
LAURENT, Éric. Um novo amor pelo pai. In:_____. A sociedade do sintoma: A psicanálise, hoje. Rio de Janeiro: Contra
Capa Livraria, 2007, p. 71-88.
Com o declínio do pai do patriarcado e do pai da lei,
as versões do pai se apresentam múltiplas e norteando cada sujeito em sua
singularidade. Na utopia do patriarca, era possível sonhar com uma distribuição
equitativa do gozo entre todos; vemos agora o “cada um com o seu modo de
gozar”. Lacan escolhe para tratar a questão do pai o “um por um”, a pai-versão.
“O pai contemporâneo é um resíduo, mas que permanece incomensurável em relação
às normas [...] Servir-se do Nome do Pai para dele prescindir ainda guarda
muitas surpresas” (LAURENT, 2007, p. 88).
EIXO
V – INTERPRETAÇÃO: A HERESIA DO ANALISTA.
LACAN, J. O aturdito (1972). In: LACAN, J. Outros escritos.
Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. Rio de Janeiro:
Zahar, 2003, p. 448-497 (Campo Freudiano no Brasil).
Em O Aturdito, Lacan propõe a interpretação como equívoco. Ele
apresenta três tipos de equívocos: da homofonia, da gramática e da lógica. No
seminário 23, ele reafirma ser “unicamente pelo equívoco que a interpretação
opera” (p.18). Na medida que a interpretação concerne ao objeto a, ponto de
interseção entre os registros real, simbólico e imaginário, Lacan afirma que
“temos apenas o equívoco como uma arma contra o sinthoma” (p18).
BASSOLS,
M. "La
interpretación, hoy", Ornicar? Digital.
Disponível em: http://wapol.org/ornicar/articles/227bas.htm
Miquel Bassols trabalha nesse texto a questão “O que faz com que algo
seja interpretável? “ Propõe que uma das condições para a intepretação é que
ela seja não-toda, que o analista esteja advertido da impossibilidade de tudo
interpretar, senão entraria no deslocamento metonímico típico das psicoses,
onde tudo possui um sentido. Assinala que a interpretação é parte do próprio
texto interpretado, a interpretação é o desejo mesmo, não se situando
exteriormente ao que é trazido pelo sujeito em análise. O autor
desenvolve, ainda, quais as implicações de uma interpretação não-toda, colocando
em relevo a enunciação e seu momento para além do enunciado.
MILLER, J-A. El ser y el Uno. Séptima sesión del
Curso de 2011, clase XIV, de 25/05/2011. Inédito.
Não sem desprender o sinthoma como consistência clínica
operativa, Miller se pergunta: como saber fazer com o sinthoma ou qual seria a boa maneira de ser herético na prática
analítica? E responde: a heresia não reside em abandonar o campo da linguagem,
por meio de um forçamento, senão nele permanecer, tomando como regra sua parte
material, a letra como litura, capaz
de fazer da prática analítica um “desmame do sentido”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – BOLETIM 01
EIXO TEMA GERAL: XXII Jornada da EBP-MG:
O INCONSCIENTE E O MESTRE CONTEMPORÂNEO: O QUE PODE A TRANSFERÊNCIA.
MILLER, Jacques-Alain. Intuições milanesas I. In: Opção Lacaniana online nova série. Ano
2. Número 5. Julho 2011. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_5/Intui%C3%A7%C3%B5es_milanesas.pdf. Acesso em: 13 fev. 2018.
Reflexões de Miller em 2011 nas quais ele traça
os deslocamentos que ocorreram entre as relações entre o inconsciente e a
política ao longo da história da psicanálise. Miller percorre as relações do
inconsciente com a sociedade disciplinar da época de Freud até chegar aos
nossos dias nos quais a globalização assinala o apagamento definitivo da norma
e acentua o aforisma de que “a relação sexual não existe”.
MILLER, Jacques-Alain. Intuições
Milanesas II Opção Lacaniana on line nova série. Ano 2. Número 5.
Julho 2011. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_5/Intui%C3%A7%C3%B5es_milanesas.pdf. Acesso em: 13 fev. 2018.
Intuições
Milanesas II
Miller
retoma Lacan neste texto quando afirma “O inconsciente é a política”. Em
psicanálise há sempre um atraso da teoria em relação à prática que é da ordem
da estrutura. O inconsciente provém do
laço social, por isso não há sociedade sem política, e a globalização, como uma
resposta à inexistência da relação sexual, traz consigo a depreciação da
psicanálise onde os psicanalistas são enquadrados pelo mercado como
“profissionais doadores de atenção”. Assim, ele orienta “uma posição de reserva
para o analista, tendo em vista esses significantes-mestres da demanda
propriamente política do Outro”.
FREUD, Sigmund.
Psicologia das massas e análise do Eu. In: Psicologia das massas e análise do
Eu e outros textos. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Neste texto de Freud podemos verificar o que faz
e como se dá a ligação recíproca entre os indivíduos de uma massa quando regida
pela função Nome do Pai. Ele desenvolve temas como a identificação, o Ideal do
Eu, o parricídio. É essencial para entendermos as modificações que irá sofrer
esta ligação na época em que esta função está debilitada.
LACAN, Jacques. O
Seminário, Livro 17: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.
Este
seminário foi ditado em um período marcado pela turbulência de maio de 68,
época da efervescência do movimento estudantil e dos trabalhadores questionando
às instituições e seu saber, o poder, as relações entre o trabalho, e o
mercado. Lacan desenvolve a teoria dos quatro discursos. Com a modificação no
Discurso do Mestre surge o discurso do capitalista, chamado por ele de discurso
do mestre moderno.
MILLER,
Jacques-Alain.
Buenos dias sabiduría. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/263010719/Jacques-Alain-Miller-Buenos-Dias-Sabiduria-Colofon-14
Acesso em: 10 fev. 2018.
Nesta conferência realizada em 1994, Miller se refere aos textos de
Françoise Sagan, “Bom dia tristeza” e “Um certo sorriso”, e ao artigo de Kojève, “ O ultimo mundo novo” para trabalhar o declínio do viril, seu
desaparecimento no mundo contemporâneo, algo que acompanha o declínio do pai.
SAGAN, Françoise. Bom dia tristeza. Rio de
Janeiro: BestBolso, 2007.
Este
livro causou furor quando foi lançado na França em 1945. Trata da vida de
excessos de uma garota de 17 anos e suas relações com o pai viúvo, o namorado,
e as amantes do pai. A função Nome do Pai é capenga tanto na interdição quanto
no apontamento de um caminho. O que faz valer é a “pai-versão do gozo” da qual
ela vai se apropriar e aí se arranjar. Kojève escreve um artigo sobre os
romances de Françoise Sagan nos quais encontra “a revelação do que são as
consequências do saber absoluto na relação sexual”.
EIXO
I: NEUROSES SEM ÉDIPO: QUAL O LUGAR DO ANALISTA?
FREUD,
Sigmund
(1856-1939). Os caminhos da formação dos sintomas. In: Obras Completas, volume
13: Conferências introdutórias à psicanálise (1916-1917)/ Sigmund Freud;
tradução Sérgio Tellaroli; revisão da tradução Paulo César de Sousa. - 1° ed. -
São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p. 475 a 500.
Em sua
conferência de 1917, Freud elucida que os sintomas são atos
prejudiciais a vida do sujeito, que trazem sofrimento
e são o resultado de um conflito em torno da satisfação da libidinal. A libido
insatisfeita encontra outras formas de satisfação, estabelecendo o caminho da
regressão – retorno a organizações já superadas ou a um dos objetos já
abandonados, pontos de fixação do desenvolvimento. Desta forma, o sintoma
substitui a satisfação frustrada, repetindo uma modalidade infantil de
satisfação deformada pela censura e transformada em sofrimento sendo estranha
ao sujeito.
FREUD,
Sigmund
(1856-1939). O estado neurótico comum. In: Obras Completas, volume 13:
Conferências introdutórias à psicanálise (1916-1917)/ Sigmund Freud; tradução
Sérgio Tellaroli; revisão da tradução Paulo Cesar de Sousa. - 1° ed. - são
Paulo: Companhia das Letras, 2014. p. 500 a 519.
Freud nos adverte que, se investigarmos a formação do
sintoma na neurose a partir somente da perspectiva do EU, corremos o risco de
perder toda a ênfase psicanalítica no inconsciente, na sexualidade e na
passividade do EU. Desta forma o autor orienta que através do prognostico das
relações entre o Eu e a libido que compreenderemos a neurose. O autor
considera que o uso “anormal” da libido é o que provê a neurose.
LAURENT, Éric. Falar com seu sintoma, falar com seu corpo.
Correio, n. 72, 2013, p.9-25.
Laurent, em seu texto “falar com seu sintoma, falar
com seu corpo”, alerta que a prática analítica tem seu sustentáculo na medida
em que maneja a verdade, tocando o real. Diante das
transformações da civilização na contemporaneidade, é essencial que
vislumbramos o sintoma para além da crença o Nome-do-pai, mas sim a partir da
incidência do real que repercute no corpo.
LACAN,
Jacques. O
mestre castrado. In: O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise, 1969-1970/
Jacques Lacan; texto estabelecido por Jacques-Alain Miller;[versão brasileira
Ary Roitman]. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Ed., 1992.
“O pai original é aquele que os filhos mataram,
e depois disso é o amor por esse pai morto que procede uma certa ordem. Nessas
enormes contradições, em seu barroquismo e superfluidez, não parece isso ser
apenas uma defesa contra essas verdades que a proliferação de todos os mitos
articula claramente, bem antes de que Freud, ao fazer a escolha do mito de
Édipo, restringisse essas verdades? O que se trata de dissimular? É que, desde
que ele entra no campo do discurso do mestre em que estamos tentando nos
orientar, o pai, desde a origem, é castrado” (p.94).
OU
“É aí que o discurso da
histérica adquire seu valor. Ele tem o mérito de manter na instituição
discursiva a pergunta sobre o que vem a ser a relação sexual, ou seja, de como
o sujeito pode sustentá-la ou, melhor dizendo, não pode sustentá-la” (p.87).
CAROZ, Gil. Nevrose sans pere
In: Quarto n 114 – Revue de Psychanalyse Publée en Belgique, Bruxells, octobre 2016
O texto aborda a perspectiva
contemporânea de uma clínica marcada pelas diversas formas de apresentação do
pai, enquanto um pai imaginário, tanto na neurose, quanto na psicose. Texto
apresentado em Tel Aviv em 2006 cujo título, parafraseando uma frase do Talmude
“fait toi un rabbin, et achete-toi un ami”, foi “fait toi un pere”. Faça você um pai!
EIXO
II – O MITO INDIVIDUAL NA PSICOSE
AROMÍ, Anna; ESQUÉ, Xavier. As psicoses ordinárias e as outras sob
transferência. In: Silicet XI Congresso da Associação Mundial de
Psicanálise: As psicoses ordinárias e as outras sob transferência. Barcelona,
2018.
As
psicoses ordinárias permitem ampliar o leque de soluções possíveis para o
buraco forclusivo. Nas psicoses extraordinárias, encontramos a reparação do
buraco sob a forma de metáfora delirante (...) ao passo que nas psicoses
ordinárias as modalidades de reparação se multiplicam e se diversificam quando
consideradas em sua raridade, com suas pequenas invenções, em sua radical
singularidade.
BROUSSE, Marie Hélène. A
psicose ordinária à luz da teoria lacaniana do discurso - In: Latusa digital –
ano 6 – n.38. Setembro de 2009.
“Na psicose ordinária o Nome do Pai foracluído
se multiplica e retorna no real como normas sociais no discurso. É a
substituição do significante Um pela cifra. Aqui, a ordem social é de ferro e é
mais feroz que o Nome do Pai porque não é o desejo que lhe é correlato, mas o
gozo de uma forma direta: - Assim eu quero, assim eu ordeno - É em direção a
essa fórmula do supereu que avançamos com o nommer-à da mãe. É também a fórmula
do mestre moderno, algo como: ‘Isso eu quero, porque é meu direito, porque é
legítimo’. Aqui o S1 não é mais um significante, é uma porcentagem.”
LACAN, Jacques. Seminário
4 – A relação de objeto. (1956-1957) Capítulo Estrutura dos Mitos – Para que
serve o mito. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.
(Campo Freudiano no Brasil).
“O que se chama um mito, (...) apresenta-se como uma narrativa. Pode-se
dizer muita coisa sobre esta narrativa, e toma-la sob diferentes aspectos
estruturais. (...) ela tem alguma coisa de atemporal. (...)o mito tem, no
conjunto, um caráter de ficção. (...) essa ficção mantém uma
relação singular com alguma coisa que está sempre implicada por trás dela, e da
qual ela porta, realmente, a mensagem formalmente indicada, a saber, a verdade.
Aí está uma coisa que não pode ser separada do mito”. (p.258)
“A verdade tem estrutura de
ficção”. (p. 259)
LACAN, Jacques. Seminário
17 – O avesso da psicanálise. (1969/1970). Capítulo VII: Édipo e Moisés e o pai
da Horda.(sobre o mito) Rio de Janeiro: Zahar,
1992. (Campo Freudiano no Brasil).
Lacan indica que no capítulo onze da
“Antropologia estrutural”, coletânea de Claude
Levi-Strauss, cujo título é "A estrutura dos mitos", veremos que a
verdade só se sustenta em um semi-dizer. Em suma, que o semi-dizer é a lei interna de toda espécie de
enunciação da verdade, e o que melhor a encarna é o mito. (P. 103).
LACAN, Jacques. Outros Escritos – Televisão. (1974). Rio de
Janeiro: Zahar, 2003. (Campo Freudiano no Brasil).
Nesse seminário nos interessa, para pensar o eixo “O mito individual na
psicose”, sobretudo a afirmação de Lacan de que “O mito (...) é a tentativa de
dar forma épica ao que se opera da estrutura” (P.531). Pensar o “Mito individual na psicose”, tal como esse eixo da Jornada
propõe, implica em levar em conta a construção narrativa, que Lacan aponta como
“uma forma épica”.
MILLER, Jacques-Alain. A
salvação pelos dejetos. In: Correio Nº67.
Escola. Brasileira de psicanálise, São Paulo, 2010.
Nesse texto Miller indica que na psicose
trata-se de desprender do gozo uma parcela que possa constituir objeto de uma
narração, de um cenário (mito individual), lançando ainda a questão se isso
seria, na psicose, equivalente ao que o fantasma procura na neurose. (p.24)
Interessa-nos examinar os modos pelos
quais um sujeito inventa um nó com o imaginário, o simbólico e o real que se
sustente sem Nome-do-Pai fazendo função de grampo.
MILLER, Jacques-Alain. Efeito
do retorno à Psicose ordinária. In: Opção
Lacaniana online nova série Ano 1 • Número 3 • Novembro 2010)
Nesse
texto Miller propõe uma tripla externalidade, a saber, a corporal, a social e a
subjetiva, para organizar a busca pelos índices forclusivos de “desordem mais
íntima no sentimento de vida do sujeito”. Essa desordem manifesta-se como uma
brecha na qual o corpo se desfaz e onde o sujeito é levado a inventar para si
laços artificiais para apropriar-se de seu corpo, para “prender” (serrer)
seu corpo a ele mesmo. (...) ele tem necessidade de um grampo para se sustentar
com seu corpo.
Eixo
III- A PULSÃO FORA DA TRANSFERÊNCIA E A CAUSA TRIUNFANTE
MILLER, Jacques-Alain. Crianças violentas. In
Revista Brasileira Internacional de Psicanálise – Opção Lacaniana 77 –
Impressa. Edições Eolia. São Paulo – SP. Agosto 2017.
Para Miller a violência das
crianças pode ser um sintoma, mas também
o resultado do fracasso do recalque, ou seja, uma satisfação da pulsão de morte
que a criança encontra no simples fato de destruir. Algumas questões são
essenciais nessa distinção: Essa violência é simbolizável? Nesse caso o que ela
diz? Ou trata-se de um puro gozo no real? Há traços de paranoia precoce ou de
histeria? De todo modo, há que se considerar ainda que há uma revolta que pode
ser sã.
CAROZ, Gil. In: Lacan Quotidien, no 742. Intervenção pronunciada no Forum Zadig-Wien sobre “O medo do
estrangeiro – discurso ou segregação”- direção de Avi Rybnicki e Gil Caroz,
Viena,
9/09/2017.
À luz de Freud e de seu
conceito de Unheimlich, “inquietante estranheza”, o autor analisa o medo
do estranho/estrangeiro. O que me dá medo é o que me é mais familiar no outro.
Nessa topologia, exterior e o interior, o estranho e o mais íntimo se
encontram. É a minha própria “malvadeza” que eu vejo no outro. O ódio nunca se
reduz a zero, ele simplesmente encontra uma outra localização.
Freud,Sigmund. O
Mal Estar da Civilização. 1930 (1929). ESB Vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago,
1976
Tema principal
do texto: o antagonismo irremediável entre as exigências da pulsão e as
restrições da Civilização.
A inclinação
para a agressão – pulsão de morte, potência destrutiva –e o
sentimento de culpa- constituem os maiores impedimentos ao desenvolvimento da
Civilização.
MILLER,
Jacques-Alain. Em direção à Adolescência. In: portal Minas
com Lacan: http://minascomlacan.com.br/publicacoes/em-direcao-a-adolescencia/
Miller
aponta que no Sec.XXI se descortinam
novas bases em que se desenvolvem as construções adolescentes, dadas as
importantes mutações da ordem simbólica havidas na contemporaneidade; Com o
enfraquecimento do Nome do Pai, para os adolescentes desorientados, o Islã é
uma verdadeira boia de salvação porque dá uma forma social à não-relação
sexual. No ocidente prevalece o “narcisismo da causa perdida” (Lacan) – “eu me
privo, eu me castro”, no Islã o que vigora é o Narcisismo da Causa triunfante,
ligado ao real do gozo que realiza a satisfação da pulsão agressiva.
EIXO
IV – O AMOR QUE FAZ FALAR O SINTOMA: O PARCEIRO ANALISTA.
LACAN, Jacques. Seminário
Livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985
Cap I-
Do Gozo
Com
a ordem do gozo, o sujeito alcança o corpo do Outro. Lacan então pergunta o que
pode responder ao sujeito sobre o gozo do corpo do Outro. O neologismo amuro,
faz uma aproximação entre amor e gozo e contem a impossibilidade da relação
sexual, aparece em signos no corpo, ou seja o modo de gozo de cada um.
Cap IV – O amor e o significante
“O
que vem como suplência a relação sexual é precisamente o amor” (pag 51)
“Um
sujeito, como tal, não tem grande coisa a fazer com seu gozo. Mas, por outro
lado, seu signo é sucetível de provocar o desejo. Ai está a mola do amor”
(pag56)
Cap VI – Deus e o Gozo d’A mulher
Há
Um é para ser tomado como Um sozinho, daí que se apreende o amor. A psicanálise
lida com isso, a transferência é igual ao amor e sua formula é o Sujeito
suposto saber.
Cap VII – Letra de uma carta de Almor
“Falar
de amor com efeito não se faz outra coisa no discurso analítico (...) O que o
discurso analítico nos traz (...) é que falar de amor é em si mesmo um gozo”
(Pag 90)
Cap VIII – Saber e Verdade
O
analista está na posição de interrogar o que é da verdade. A verdade que diz
sobre o gozo. A psicanalise inscreve sua zona de experiência no que Lacan
nomeou de amódio, torna possível reinterpretar o inconsciente pela vertente do
real presente no gozo, um gozo recusado que se encontra no ser falante.
Cap IX- Do Barroco
“O
barroco é a regulação da alma pela escopia corporal “ (pag 124)
O
corpo exibido evoca gozo, onde a pulsão no que concerne ao gozo, de mais de
gozo visa contornar de forma rebuscada, barroca o vazio do objeto. O sujeito
nada quer saber sobre seu gozo, é na hiancia existente na fala
“rebuscada/barrocada” pelo inconsciente que algo do gozo que toca o corpo se
enuncia. “Onde isso fala, isso goza” (pag, 123)
MILLER,
Jacques-Alain. O Inconsciente e o corpo falante. In: Site AMP/WAP - Conferência pronunciada por Jacques-Alain Miller por
ocasião do encerramento do IX Congresso da Associação Mundial de Psicanálise
(AMP), em 17 de abril de 2014, apresentando o tema de seu X Congresso.
“A psicanálise muda. Não é um desejo mas um
fato” o psicanalista mais uma vez diante do muro da linguagem, em sua prática.
Um esforço continuo para permanecer o mais próximo da experiência, dize-la sem
se deixar esmagar pelo muro da linguagem. Para ultrapassá-lo é preciso um
(a)muro, palavra agalmática que faz furo presente no falasser.
MILLER, Jacques-Alain. Uma fantasia. In: Opção Lacaniana Impressa Número 42 • Janeiro 2005.
O
mais de gozar ascendeu um lugar dominante e comanda um isso falha. É ai que que
a pratica lacaniana se constrói. No qual toma o sintoma como testemunha de uma
relação contigente a um impossível.
MILLER,
Jacques-Alain. El ultímisimo
Lacan. Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Paidós, 2013
Cap.
I: El esp de um laps
“Há
a relação solitária e inesperada com o inconsciente (quando o espaço de um
lapso não tem nenhum sentido, não há conexão de S1 e S2) em oposição à
psicanálise que opera a partir da conexão mínima do par significante S1 – S2”
(p. 18). O analista se faz presente quando se estabelece a conexão entre os
significantes, que condiciona a associação.
Cap.
III: Historización
Sob
a perspectiva do inconsciente transferencial o analista entra na função de
favorecer as trocas de sentido ou de orientação na historização dos fatos que
determinaram na vida do sujeito um certo número de “reviravoltas históricas”.
No último ensino de Lacan, o analista é uma espécie de intruso.
Cap. IV: Invención
de lo real
Miller
começa uma leitura comentada do capítulo IX do Seminário 23, O Sinthoma.
Há,
por um lado, um dizer que se conecta ao saber e que permite ser escutado e por
outro há um dizer que se fecha sobre si mesmo, articulado a uma satisfação,
deixando o sentido totalmente fora.
Não
há inconsciente coletivo porque não existe o inconsciente de uma língua. O
inconsciente é sempre particular uma vez que a cada instante o sujeito dá um
retoque na língua que fala.
Cap.
V: Lo extraño y lo extranjero
“Não
pode haver afinidade com o inconsciente de outra pessoa. Lacan restitui à
situação analítica seu caráter de estranheza para o analista, quem escuta o
outro entregar-se na palavra. Alguém fala para satisfazer-se. Este ciclo que é
a palavra considerada pulsão e o analista está presente alí, talvez unicamente
para permitir que se feche este ciclo” (p. 75). Joyce é um exemplo de que se
fala para si.
“Na
experiência analítica há momentos em que o analista está diante de um
analisante que fala sua própria língua (...) uma língua que não se compara, nem
se refere a modelos de línguas para se explicar se se desvia ou não. Trata-se
de um forçamento contínuo” (p. ). “Um
ato de fala sempre particular pode pretender ser um dizer, ou seja, estar no
Outro, submetido às regras de uma lógica e pode, portanto, revelar-se
contraditório” (p. 92). Sob essa perspectiva não se pode prescindir do
analista.
Cap.
VI: El reverso del passe
O
passe orienta a passagem do inconsciente transferencial para o inconsciente real.
Desse modo há uma transformação radical da relação com o analista, momento da
liquidação da transferência para o analista. A saída do inconsciente
transferencial inaugura uma nova transferência, a transferência com a análise.
Como na análise se pode fazer sentido com o real.
EIXO
V – INTERPRETAÇÃO: A HERESIA DO ANALISTA.
Seminário
XI
LACAN, J. O seminário,
livro 11: os quatro conceitos
fundamentais da psicanálise (1964).
Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradução de MD Magno. Rio de Janeiro:
Zahar, 1998. (Campo Freudiano no Brasil).
“A interpretação não é
aberta a todos os sentidos. Ela não é de modo algum não importa qual. É uma
interpretação significativa, e que não deve faltar. Isto não impede que não
seja essa significação que é, para o advento do sujeito, o essencial. O
essencial é que ele veja, para além dessa significação, a qual significante –
não-senso, irredutível, traumático – ele está, como sujeito, assujeitado” (p.
237).
Seminário
XXIII
LACAN, Jacques. O
seminário, livro 23: o sinthoma (1975-1976). Texto
estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradução de Sérgio Laia. Rio de Janeiro:
Zahar, 2007. (Campo Freudiano no Brasil).
A expressão “ajuda contra”,
utilizada por Lacan no Seminário XXIII, indica uma reviravolta na função do
analista: de complemento do sintoma, sujeito
suposto saber, a sinthoma. “Não se pode conceber o psicanalista de outra
forma senão como um sinthoma” (p.131). O analista sinthoma constitui uma ajuda
contra o inconsciente, para ir além do pai: prescindir do Nome do Pai com a
condição de se servir dele.
O
Real no século XXI
MILLER, Jacques-Alain. O real no século XXI. Opção Lacaniana, n. 63, p. 11-19. São
Paulo: Edições Eolia, jun. 2012.
Neste texto Miller ressalta
a interpretação em sua função de “perturbação” ou “desmontagem” das defesas
contra o real. A desmontagem da defesa permite ao sujeito um encontro com o
real sem lei e fora do sentido.
MILLER, Jacques-Alain. Un real para el siglo
XXI – Presentación del tema del IX Congreso de la AMP. En: BRIOLE, G &
MILLER, J-A. Un real para el siglo XXI:
Scilicet. Olivos: Grama Ediciones,
2014, págs.17-27.
“A psicanálise transcorre no nível do
recalcado e da interpretação do recalcado, graças ao sujeito suposto saber.
Porém, no século XXI, cabe à psicanálise explorar outra dimensão: aquela da
defesa contra o real sem lei e fora de sentido (...). O inconsciente lacaniano,
o do último Lacan, está no nível do real (...) de modo que, para entrar no
século XXI, nossa clínica deverá se concentrar em desmontar a defesa,
desordenar a defesa contra o real”.
MILLER, Jacques-Alain. “El esp de um laps” aula
15/11/2006. En: El ultimíssimo Lacan. Ciudad
Autónoma de Buenos Aires: Paidós, 2013, págs. 9-22.
A ressonante leitura que Miller realiza do
texto de Lacan “Prefácio à edição inglesa do Seminário 11” permite localizar as
urgências subjetivas, não só como a demanda do analisante em potência, mas como
o surgimento daquilo que traz a inserção de um traumatismo e que ataca o
princípio de toda operação analítica, já que inconsciente e interpretação (S1 e
S2) estarão, nessas condições, disjuntos, como um espaço de um lapso.
MILLER, Jacques-Alain. “Sentido y agujero” aula 28/03/2007. En: El ultimíssimo Lacan. Ciudad Autónoma de
Buenos Aires: Paidós, 2013, págs. 165-180.
Ao reunir múltiplos enunciados de
Lacan, encontrados nos seminários “O sinthoma”
e “L’une-bévue”, Miller se pergunta:
“haveria uma interpretação borromeana?”, capaz de fazer a conjunção entre
efeito de sentido e efeito de furo? Como uma façanha poética, a interpretação
se pretenderia borromeana, não só ao produzir equívocos com o sentido, mas
também ao forçar, por meio da manipulação do significante, uma significação
vazia.
MILLER, Jacques-Alain. “Todo el mundo es loco”
Capitulo IV. Aula 3/12/2008. En: Sutilezas analíticas. Buenos Aires: Paidós,
2012, págs. 65-81.
No
último ensino de Lacan, a incidência clínica e prática do conceito de sinthoma, como modo de gozar singular, é
“profundamente desestruturante”, já que apaga as fronteiras do sintoma e do
fantasma, da neurose e da psicose. “E se abandonamos a tipologia, se passamos à
singularidade, vemos nesse nível que todo
mundo é louco, o que significa que o real
mente a todo mundo, que a verdade é
mentirosa para todo mundo”.
MILLER,
Jacques-Alain. “Curso de
JAM en ECF Ano zero aula I (24 de junio de 2017)”. Disponible en: https://sobrevolandolacanquotidien.blogspot.com.br/2017/08/curso-de-jam-en-ecf-24-junio-2017.html.
O significante “ano zero” interpreta o período
transcorrido, desde a fundação do Campo Freudiano, já que algo foi questionado
no fundamento do discurso analítico. Diferente de uma suposta neutralidade em
jogo na posição analítica trata-se, agora, do “comprometer-se”, das eleições
que estão enraizadas no gozo do corpo e que devem se estender até o espaço
social. Eis que, tal como o analisante, o analista é prisioneiro de sua época e
ambos estão comprometidos em uma só dialética.
Equipe:
1)
Anamáris Pinto (Coordenadora)
2) Beatriz Espírito Santo
3) Cristiana Ferreira
4) Graciela Bessa (Coordenadora)
5) Iara Penteado
6) Lilany Pacheco
7) Lisley braun Toniolo
8) Márcia Bandeira
9) Maria de Fátima
10) Maria Wilma
11) Rafael Lopes Vieira
12) Rodrigo Almeida
13) Ana Paula Britto
2) Beatriz Espírito Santo
3) Cristiana Ferreira
4) Graciela Bessa (Coordenadora)
5) Iara Penteado
6) Lilany Pacheco
7) Lisley braun Toniolo
8) Márcia Bandeira
9) Maria de Fátima
10) Maria Wilma
11) Rafael Lopes Vieira
12) Rodrigo Almeida
13) Ana Paula Britto
