O Grito- Eduardo Fonseca
Conexões:
Nota sobre o filme “No intenso agora” de João Moreira Salles
Marcelo Quintão [1]
No dia 04 de maio aconteceu na Sala Humberto Mauro mais
uma atividade preparatória da XXII Jornada da EBP-MG. O público pôde assistir
ao último documentário de João Moreira Salles, No intenso agora e escutar, na sequência, o instigante comentário
proferido por Simone Souto[2] (Diretora de orientação da
Jornada)
Em seu comentário, Simone ressalta como João Moreira
Salles, movido por uma causa íntima e intransferível, conseguiu produzir “uma
beleza que nasce da escassez introduzida no tempo, conferindo à transitoriedade
da vida um valor que resulta da capacidade de transformar em causa do desejo aquilo
que sempre resta por se satisfazer”.
Valendo-se tanto de um momento intenso da experiência de
vida de sua mãe durante uma viagem à China maoísta, quanto dos movimentos
revolucionários de maio de 68, o filme se dedica a responder, segundo Simone,
às seguintes questões: Como sobreviver ao fim de um momento de grande alegria,
intensidade e satisfação? Como sobreviver ao fim de uma alegria que você não
consegue mais recuperar? Desse modo, o diretor torna visível o fator libidinal
que se inclui na política sob a forma de uma impossibilidade de satisfação
permanente e total.
A atividade contou com um público numeroso, bastante
interessado e participativo, pelo que pudemos constatar a partir das perguntas
formuladas no debate.
Conexões: Freud Cidadão
Renata
Mendonça[3]
No dia 14/05 tivemos
mais uma atividade de Conexões da
XXII Jornada da EBP-MG no Freud Cidadão[4].
Tomando por base a conferência de Éric Laurent apresentada no último congresso
da AMP em Barcelona[5], Jésus Santiago teceu um
interessante comentário sobre o caso apresentado, ressaltando o quanto uma
experiência de disrupção precoce de gozo (uma efração originária) teria marcado
decisivamente a existência desse sujeito pela via da compulsão à repetição
e das sucessivas passagens ao ato que o
levam ao pior.
A atividade gerou um
vivo debate em torno dos limites e possibilidades do laço transferencial em
casos como esse, restando a seguinte questão: se na neurose a transferência
pressupõe um laço libidinal e de suposição de saber no Outro, na psicose o
sujeito se encarrega solitariamente do trabalho delirante. Haveria
transferência na psicose, tal como a reconhecemos no tratamento analítico na
neurose?
[1] Psicanalista,
psiquiatra
[2] O comentário de Simone Souto estará disponível no número 8 da Revista Derivas Analíticas Não perca!!!
[3] Psicanalista,
mestre em psicologia (PUC/MG)
[4] O que pode a transferência quando falasser se
apaga?” por Letícia Soares (Freud Cidadão), comentários de Jésus Santiago
(AE/AME da EBP/AMP) e coordenação de Laura Rubião (EBP/AMP e coordenadora
executiva da XXIIJornada da EBP-MG)

