Enxame #6- 6. Conexões




Giulia Puntel






Conexões: Instituto Raul Soares – FHEMIG



Elaine Maciel[1]



Na atividade no Instituto Raul Soares[2], o comentário de Cristina Drummond[3] sobre o caso localiza uma das formas do mestre contemporâneo imperar. Há um rebaixamento do estatuto da palavra para o sujeito em questão. Em seu lugar temos o discurso jurídico, que atravessa toda a família e do qual o sujeito faz uso sob a forma de uma reivindicação legal. Isso localiza um Outro e, minimamente, possibilita ao sujeito se situar no mundo. Um recurso sintomático da paranoia que vem no lugar da errância, que antes predominava. Entretanto, o que se tem é um sujeito não permeável à palavra, reduzido a um objeto de direitos.

A pergunta neste caso seria: o que pode a transferência de trabalho? A aposta da equipe foi na abertura de uma possibilidade para um tratamento, dando uma chance para a construção de outro sintoma que sirva de solução para um sujeito não localizável em lugar nenhum.







[1] Psicanalista.

[2] Atividade de Conexão da XXII Jornada da EBP-MG, realizada no dia 23/08/2018, “Psicose e maternidade”, por Maria Elizabeth Pontes e Clarisse Pimenta.


[3] AME (EBP/AMP).










Conexões: Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais - CMMG



Cristiana Cardoso Pittella[1]



Na atividade de Conexão na Liga Acadêmica de Psicanálise da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais[2], Laura Rubião[3] destacou no seu comentário do caso[4] como foi fundamental para o sujeito, um melancólico, ter sido acolhido pelo discurso do analista.

O discurso do mestre ao não dar lugar ao sujeito, à sua palavra, redobrava sua tendência mortífera pois procurava, pela vertente moral e corretiva, convencer o sujeito a ir contra o seu modo se ser.

O caso revelou o que pode a transferência, mesmo numa clínica refratária ao laço cuja a prevalência é a pulsão auto-destrutiva e a falta absoluta do sentido.  Ao acolher e apostar nos recursos e invenções do sujeito, abre-se um espaço mínimo para ele reivindicar[5] - esperar algo do Outro -, e assim fazer vacilar a certeza da indignidade de seu ser. O caso nos ensina a importância de se acolher o ser do sujeito para dar-lhe uma ajuda-contra. Ao ter um lugar no Outro, ele pode produzir um anteparo ou pequenos deslocamentos que evitam as passagens ao ato. 















[1]  AP, membro da EBP/AMP.

[2] Coordenação Paula Pimenta, AP, membro da EBP/ AMP, Professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais

[3] Coordenadora Executiva das XXII Jornadas da EBP-MG, membro da EBP/AMP

[4] Caso apresentado e conduzido por Fabrise Assad , psicóloga, ex-aluna da FCMMG e da Liga Acadêmica de Psicanálise


[5] Para o desenvolvimento dessa questão recomenda-se a leitura do livro de Maria de Fátima Ferreira, membro da EBP/AMP, A dor moral na melancolia, 2014. Editora Scriptum.
 


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Jornada EBP-MG