Um delírio Real[1]
Iniciando as atividades da Comissão de Conexões da XXII Jornada da EBP-MG para
investigação sobre o tema “O Inconsciente
e o Mestre Contemporâneo: o que pode a transferência?”, aconteceu, no dia 21 de março, a apresentação de uma vinheta
clínica pela equipe técnica de acompanhantes terapêuticos da moradia assistida
EmCasa, em atividade coordenada por Luzmarina Morelo,
no auditório do
Hospital Galba Veloso.
No comentário desse caso
clínico, Simone Souto, Diretora de Orientação da Jornada, assinala que estamos
diante de um caso clássico de psicose, onde encontramos elementos indicativos
da foraclusão localizada no significante do Nome-do-Pai e da não inscrição da
função fálica mas, também, a presença da foraclusão generalizada, relativa a
não existência da relação sexual . Um delírio paranoico de filiação evidencia a
foraclusão do Nome-do-Pai, enquanto os excessos ligados à pulsão oral, à
agressividade e ao descuido com o corpo próprio revelam as consequências da não
extração do objeto a e do consequente
retorno sobre o corpo de um gozo não localizado, difuso, que causa uma perturbação
geral, uma agitação do real.
O que aparece como uma via de
solução possível, embora ainda bastante incipiente, nesse caso, é , segundo
Simone Souto, uma holófrase presente em uma carta que o paciente lê para o
psiquiatra. Essa holófrase condensa o gozo relativo ao delírio de filiação
paterna e o gozo materno, caprichoso, que faz do paciente seu bibelô. Na
leitura de Simone Souto, é fundamental acolher esse significante holofrásico
que localiza o gozo e reduz o sentido delirante, para que, em algum momento,
possa surgir, na transferência, um S2 que produza um intervalo entre o sujeito
e o gozo. O eixo II da Jornada - O mito individual na psicose - orientou a
discussão desse caso.
A abertura dessa série de
atividades de conexão da EBP-MG com os serviços da cidade já nos coloca a
trabalho, nos trazendo várias questões nas quais esperamos avançar na Jornada. Por isso, não percam tempo, garantam já os
seus lugares!
[1]
Nota de
Paula Brant. 1ª atividade de Conexão da XXI Jornada da EBPMG. Apresentação de caso na
Moradia Assistida EmCasa, por Ernesto
Anzalone e Fabiana Câmara . Comentário: Simone Souto (AME da EBP/AMP , Diretora
de orientação das XXII Jornadas EBP-MG) e coordenação: Luzmarina Morelo (Galba Veloso)
O
artesão das palavras: sujeito e escrita na clínica lacaniana do real[1]
No dia 23 de Abril a Pontificia Universidade Católica deu
lugar à 2a Conexão entre as XXII Jornadas
da EBP-MG e o Laboratório de Estudos
Clínicos do Curso de Psicologia (1). Nela constatamos como a transferência
sustentada pelo discurso analítico pôde acolher um sujeito e enlaçar ao Outro
sua obra que, anteriormente, estava destinada ao lixo. O autor é um mestre da
linguagem, um sujeito que não tem o apoio de um discurso estabelecido. Sua
escrita não visa a construção de uma metáfora delirante, mas sim, suportar o
corpo. A partir da materialidade da palavra ele faz um nome: ‘Jesus’ e, sua obra, cheia de iluminuras,
visa o deleite do leitor. Ele inventa um laço social inédito como forma de
compensação da demissão paterna.
Diferentemente,
Schereber ao escrever seu livro, visava explicar e dar sentido ao seu delirio,
para assim restaurar o laço com o Outro.
Pudemos verificar que
no mundo regido pelo pragmatismo do mestre contemporâneo, em que o gozo deve
ser extirpado e segregado, o discurso analítico pode incidir e dar lugar a essa
forma de suplência e salvação pelo dejeto.
Deixamos ao leitor de
Enxame um aperitivo do Sumo Tratado Teológico Penitencial.
[1] Notas
de Cristiana Cardoso Pittella.2ª
Atividade
de Conexão da XXII Jornada EBPMG, realizada na Pontificia Universidade Católica.Vinheta apresentada
por Gladstone Elias de Souza e Lúcia Mello.Comentário: Maria
José Salum.Coordenação: Suzana Barroso.




