Afrodite-me Rodrigo Mogiz
Nos dias 27 e 28 de outubro deste ano, a Seção-Minas da EBP realizará
sua XXI Jornada. Nesta ocasião, conversaremos sobre “O inconsciente e a
diferença sexual. O que há de novo?” - tema instigante cuja atualidade nos
coloca a trabalho. Contaremos, durante a nossa Jornada, com a viva participação
e leitura precisa do colega psicanalista Pierre Naveau (AME/ECF/AMP).
Hoje, estamos lançando o primeiro número do Boletim da XXI Jornada: L'Incs. Afinal, quais
conexões e disjunções podemos suspeitar entre o inconsciente e a diferença
sexual atualmente?
Desde Lacan, estamos esclarecidos sobre o que em nossa clínica se confirma:
“o ser sexuado só se autoriza de si mesmo”. Tal autorização não se encontra na
natureza ou na cultura, mas advém das relações entre desejo e gozo. A forma insensata
com a qual o real do gozo se resolve é única para cada um. Nomear-se como
homem, mulher, trans, bi, assexuado etc. é uma resposta não toda suficiente,
pois um resto sempre sobra fora de lugar, cuja desproporção é o índice do que
agita a relação que não existe!
Não por acaso, “falar sobre coisas que não existem faz parte da condição
singular do ser falante”. Quem o afirma é Ludmilla Feres de Faria, coordenadora
da XXI Jornada, em texto que inaugura o primeiro número deste Boletim. Seu artigo
ensina que “a diversidade dos desejos e das pulsões, cujas finalidades vão além
dos problemas da sobrevivência e das normas”, implica uma “sexualidade desnaturalizada”.
“Masculino e feminino são, portanto, mascaradas no nível do que se apreende
no intervalo como sendo o real da sexualidade, ou seja, a operação das pulsões
parciais”, ensina Jésus Santiago, diretor de orientação da XXI Jornada, quando
nos apresenta a ideia lacaniana de que “a realidade do inconsciente é sexual”.
Interessa-nos aí, conforme sublinha Ludmilla, debulhar a ideia de que “a
plasticidade” joga sua partida nas categorias homem e mulher, dentre outras. A
plasticidade do gozo parece ser o destino. Jésus acrescenta ser “relevante
notar a importância que a função fálica assume na elaboração das tábuas da
sexuação, pois o semblante fálico se faz presente no inconsciente em detrimento
da diferença sexual que não se escreve”.
Por que essa conversa nos interessa hoje? Respondemos com Ludmilla, citando
Miller em Comandatuba: “A psicanálise joga sua partida na dimensão de um real
que fracassa, de tal modo que a relação dos dois sexos entre eles vai tornar-se
cada vez mais impossível, que o Um só será o standard do
pós-humano”.
O que não se escreve, o que mexe e bole nas fraturas do encontro impossível,
poderá ser lido neste boletim L'incs.
Isso já se vê brotar e fazer-se escapar na arte do cartaz, como nos transmite o
texto de Sérgio de Mattos, coordenador da comissão de transmissão das
nossas Jornadas e editor deste boletim.
Também podemos recolher como isso aparece nas conexões entre o cinema e
a Psicanálise, em recente parceria realizada entre a Seção Minas e a Fundação
Clóvis Salgado.
As investigações e discussões que tiveram lugar na noite da nossa primeira
reunião preparatória para a XXI Jornada imprimem uma direção para nosso trabalho.
Marque na sua agenda o dia 4 de maio, quando daremos continuidade a essa
conversa com Elisa Alvarenga e Maria José Gontijo, dialogando sobre a frase de
Lacan - “constata-se
que o gozo sexual não pode ser escrito e é disso que resulta a
multiplicidade estrutural” -, com a moderação do debate por conta de Helenice de Castro.
Imperdível!
As
inscrições estão abertas!
Se
você deseja estar entre os muitos que farão parte da nossa Jornada, inscreva-se
já. Temos razões borbulhantes para suspeitar que as vagas irão se esgotar.
Boa
leitura!
Fernanda Otoni-Brisset
Diretora Geral da EBP-MG
Diretora Geral da EBP-MG
