@DDito 17
Boletim da XVII Jornada da EBP-MG
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Caros
leitores,
O número dezessete de nosso Boletim demorou-se além dos demais para ser escrito. Entre a Preparatória do dia 04 de outubro, e a elaboração deste novo número fomos interpelados pela notícia da morte, de forma brutal, de uma jovem amiga de muitos de nós. Este fato desolador, e o ato bárbaro, impiedoso, absurdo que o perpetrou, tem reverberado entre nós como uma onda de tristeza, pesar, indignação e perplexidade. Temos tomado a palavra, a cada encontro preparatório, para dizer das consequências, na clínica, mas também na vida, disso que temos chamado, com Jacques-Allain Miller, de desordens do real. E eis que algo dessa des-ordem nos interpela de modo avassalador, na madrugada do último sábado para domingo. Seria impossível dar continuidade a nossa série de boletins, sem registrar a consternação e o profundo pesar, que esta perda nos causou.
O número dezessete de nosso Boletim demorou-se além dos demais para ser escrito. Entre a Preparatória do dia 04 de outubro, e a elaboração deste novo número fomos interpelados pela notícia da morte, de forma brutal, de uma jovem amiga de muitos de nós. Este fato desolador, e o ato bárbaro, impiedoso, absurdo que o perpetrou, tem reverberado entre nós como uma onda de tristeza, pesar, indignação e perplexidade. Temos tomado a palavra, a cada encontro preparatório, para dizer das consequências, na clínica, mas também na vida, disso que temos chamado, com Jacques-Allain Miller, de desordens do real. E eis que algo dessa des-ordem nos interpela de modo avassalador, na madrugada do último sábado para domingo. Seria impossível dar continuidade a nossa série de boletins, sem registrar a consternação e o profundo pesar, que esta perda nos causou.
Em nosso
5º e último Seminário Preparatório, Ana Lydia Santiago e Cristina
Drummond apresentaram primorosas contribuições ao tema “O que a criança
ensina?”. Tivemos na sequência, um animado debate.
Cristina
Drummond abordou, a partir de duas vinhetas clínicas, o tema da “criança
generalizada”, dos saberes que buscam adaptá-la ao mundo produtivo do “todos
consumidores”, assim como as respostas do sujeito frente às políticas de
homogeneização da infância.
Ana Lydia
Santiago partiu da premissa de que a singularidade é o que orienta a política
da psicanálise, para investigar, a partir de um caso clínico, as
especificidades da fobia na clínica com crianças na atualidade. Trabalhou
também questões que interpelam o analista em sua prática clínica: haveria,
diante da feminização do mundo, mudanças no campo pulsional dos sujeitos?
Poderíamos falar de um empalidecimento do inconsciente?
Neste
número de @DDito, você poderá acompanhar os desdobramentos da contribuição de
Cristina Drummond ao debate. Em breve, publicaremos o texto de Ana Lydia
Santiago.
Boa
leitura!
Esperamos
você nos dias 26 e 27 de outubro no CentoeQuatro.
Lucíola
Freitas de Macêdo
P/ Equipe
Editorial de @DDito
O QUE NOS ENSINAM AS CRIANÇAS
Cristina Drummond
A infância
é hoje uma questão do domínio público. Os saberes médicos, sociológicos e
pedagógicos que se ocupam dela sofreram enormes efeitos do discurso da ciência,
evidenciando o que Lacan chamou em 67, em sua Alocução sobre as psicoses da
criança,da presentificação da “criança
generalizada. A criança generalizada significa tomar o ser falante como objeto,
sem palavra e sem responsabilidade. Não há lugar para a subjetividade da
criança, e, propagando buscar o seu bem, esses saberes buscam adaptá-la ao
mundo produtivo e do “todos consumidores”. As crianças são consumidores de
gadjets, de tecnologias, de remédios, de moda, de professores, de aulas dos
mais diferentes assuntos. Elas são entediadas, já que nesse mundo de ofertas, o
desejo está ausente dos cardápios de ofertas.
Também
presenciamos atualmente a um ataque generalizado à psicanálise por parte dos
adeptos da terapia cognitivo-comportamental tomando como questão central o
tratamento do autismo. Na França, há nesse movimento a pretensão de descartar o
tratamento psicanalítico e promover legalmente que o tratamento se restrinja ao
educativo. O projeto visa também proibir o ensino da psicanálise na
universidade. Essa situação ilustra a importância de sustentarmos o valor da
psicanálise em nosso mundo, já que o discurso analítico corre o risco de ser
rechaçado.
Tomar
nessa jornada como um eixo de discussão a questão das crianças, nos orienta
Fernanda Otoni, é investigar a resposta delas diante das políticas de
homogeinização da infância: qual o futuro para as crianças submetidas aos
imperativos das avaliações escolares e científicas e qual a alternativa que
nós, psicanalistas, podemos apresentar? Devemos tomar essa pergunta a sério e
pensar que esse futuro já está desenhado e nele encontraremos exacerbadas as
manifestações que já encontramos no presente: agressividade, desinteresse,
tédio, solidão, depressão, narcisismo.
Sabemos
que a infância é o tempo no qual o sujeito interroga o desejo do Outro e deverá
construir sua resposta, que é sempre particular. Entretanto, cada vez menos há
lugar para essa particularidade que muitas vezes fica ocultada nos sintomas,
sem chance de se manifestar de outra forma. Quando dizemos que a política da
psicanálise é a política do sintoma, isso quer dizer que uma experiência de
análise deve ser a oportunidade de o sujeito acreditar no inconsciente, porque
é no trabalho de decifração do sintoma que ele pode ter acesso às determinações
inconscientes deste. E introduzir o inconsciente é ir em direção exatamente
oposta à do discurso da ciência que busca de todas as formas forcluí-lo.
É no sintoma que reside a particularidade de cada sujeito, de cada história, de
cada resposta ao real. Como Lacan nos ensinou, as crianças são antes de tudo
respostas do real, do real da sociedade. Esse real se manifesta através dos
abusos de nosso mundo, abusos colocados à disposição de todos pela ciência e
pelas diversas soluções oferecidas para tamponar os fracassos da vida. Essas
crianças, respostas do real, só se tornam humanas quando esse real é tratado
por elas e com elas.
Freud
destacava três missões impossíveis: educar, ensinar e analisar. Encontramos nos
nossos dias uma resistência muito grande de se levar em conta a descoberta
freudiana e uma busca de tratar os sintomas com soluções propostas pelo
discurso da ciência. A educação tem se tornado na verdade uma reeducação do
comportamento, e chega às vezes parecer transformar as crianças em robôs a
serem controlados. Elas, por seu lado, não querem mais aprender. Não tomam a
escola como um espaço próprio e o desejo de saber parece elidido. A violência é
um sintoma da época presente de modo escandaloso nas escolas. Os políticos não
sabem mais que projetos e que regras é preciso inventar para a aprendizagem da
leitura e da ortografia. A escola plural não promoveu o desejo de saber. O
número de analfabetos funcionais não deixa de ser contabilizado com algarismos
próximos dos 50 % em nosso país que há muito tempo implanta políticas incisivas
contra o analfabetismo. As crianças não cabem nos moldes que lhes são
propostos.
Enquanto,
diz Laurent, há vinte anos, as crianças iam à escola, no momento atual elas
recusam o lugar que lhes é proposto e começam a desenvolver síndromes e
transtornos de atenção que fazem com que elas estejam agitadas o tempo todo. Em
determinados locais da América, um terço da população de jovens é submetida ao
uso de Ritalina ou Concerta por sofrerem de agitação e são diagnosticadas como
hiperativas. O problema é que não se sabe mais de que modo é possível conversar
com essa geração. Por um lado os jovens se agitam e, por outro, se deprimem. É
notável, sobretudo nos países asiáticos, as estatísticas de suicídio entre os
jovens, assim como cresce de modo impressionante nesses países a recusa de ir à
escola. As ditas fobias escolares, que anteriormente eram fenômenos marginais
da educação, se tornaram fenômenos de massa em determinadas regiões. Hoje, encontramos
jovens capazes de passar meses sem sair de casa.
Para essa
nossa reflexão, gostaria de compartilhar com vocês um exemplo de minha prática
que me ensinou algo sobre essa questão. É o caso de um sujeito que não é mais
uma criança. Se eu tomo esse exemplo é também por pensar que esses sintomas não
são novos, o que é atual é a maneira de tratá-los e, sobretudo, de
silenciá-los.
Luiz é um
professor universitário, doutor em matemática. Entre seus vários sintomas, tem
algumas compulsões. A que nos interessa, porque toca na questão do saber e da
pedagogia, é sua compulsão por leitura. Ele lê livros compulsivamente,
sobretudo romances que devora e não larga enquanto não termina. Se a princípio
ele apresenta esse sintoma como um signo de sua solidão de filho único, de seu
interesse pelo saber, uma lembrança lhe permite ler a questão de uma maneira
totalmente distinta. Ele conta que quando estava aprendendo a ler, sentia-se
pior do que todos os meninos. Ele não sabe bem se seu sentimento vinha de sua
dificuldade para aprender a ler ou do fato de, diferentemente dos outros
meninos, não ter um pai, já que este deixara sua mãe quando ele era ainda muito
pequeno e fora viver com outra mulher. Seus colegas já sabiam ler e aquelas
letras ainda eram para ele enigmáticas, não fazendo qualquer sentido. Recorda
muito bem da angústia que o invadia. Parecia-lhe impossível que conseguisse, em
algum momento, decifrar aquele código. Sua mãe, professora, lhe sugere que ele
decore um dos textos que seriam sorteados para um exame oral que constava de
uma leitura em voz alta diante de todos os colegas. Ele escolhe um dos textos e
o decora e, para sua alegria, foi justamente aquele sorteado. Naquele momento,
ele apenas repetiu o que já memorizara, e fingiu que estava lendo.
Esta contingência
que passa quase por um fato sem importância está na origem de seu sintoma. A
partir de então, Luiz tem certeza de que não consegue ler em voz alta e precisa
ler compulsivamente para verificar sua capacidade. Apesar de fazer isso o tempo
todo, sua dúvida não termina. E que certeza é a sua? A de que, sustentando a
verdade da palavra da mãe ele pode completá-la. Também com esse intuito, ele
recusou a vida inteira procurar seu pai, tendo a certeza de que dessa maneira
agradaria à sua mãe. Era isso que ela esperava dele.
Esse
pequeno fragmento de um tratamento me parece falar um pouco do que uma criança
nos ensina sobre o ato de ler. Ela nos ensina que seus sintomas são respostas
que têm uma lógica particular. São índices de como cada um leu e respondeu ao
desejo do Outro. Alguns sintomas permanecem assim durante anos, à espera de uma
chance de poderem ser decifrados. Luiz, certamente, lia para não decifrar. Sua
leitura era a leitura de sua mãe, de quem ele não podia se separar com o risco
de cair num desamparo completo.
Assistimos
na atualidade à maneira como a psiquiatria tem estigmatizado as dificuldades da
criança, nomeando-as de distúrbio e de disfunção e tratando-os com contenção
química e medicalização generalizada. Essa maneira de abordar o sintoma abre
duas possibilidades no tratamento da criança. Na primeira visa-se uma
normalização da criança; na segunda seu sintoma é tomado como um déficit, e a
criança é identificada a ele. Temos, nas práticas que abordam a criança dessas
duas maneiras, uma visão que identifica o ser e o corpo e que tem como
resultado o apagamento do sujeito. Há nelas um total desconhecimento de que o
corpo vem do Outro e não de um sentimento de continuidade. Essas práticas dão
uma significação alienante para o sintoma do sujeito e o privam da relação com
a causa de seu sintoma.
As
crianças não ficam quietas, não têm atenção, estão desinteressadas e isso é
lido como um distúrbio a ser tratado. Há uma proliferação dos tratamentos de
controle do comportamento e dos protocolos de classificação e, nos casos
graves, chega-se à contenção institucional através da internação compulsória. O
que se esconde por trás de todos esses procedimentos, nos indica Eric Laurent,
é que a criança é objeto de paixões mortíferas.
Em vários
momentos de seu ensino, Lacan nos trouxe indicações a respeito do tratamento da
criança. Em todos eles, ele buscou introduzir a questão do gozo, que é o ponto
de real a partir do qual ele orienta a clínica. Seja quando ele o localizou no
falo, seja quando ele buscou tratar do não todo fálico. Nada que seja da ordem
do comportamento, nada que seja da ordem do universal, do para todos, mas uma
clínica que toque o mais íntimo do sujeito, que toque sua relação com seu Outro
que em muitos casos é obsceno e feroz.
Queria
tomar agora um outro fragmento clínico para trazer o que Marina me ensinou a
respeito do sintoma na criança. Ela vem, aos cinco anos porque tem muita
angústia quando tem vontade de ir ao banheiro fazer xixi e se recusa a comer
vários tipos de alimento. Tem um comportamento muito controlador, buscando
evitar qualquer espécie de surpresa.
O pediatra
recomenda um tratamento de condicionamento acompanhado de ansiolíticos para que
ela durma com tranquilidade. Dessa maneira ela terá horários para ir ao
banheiro e não se angustiará com possíveis surpresas. Uma nutricionista também
propõe um trabalho de introduzir novos alimentos aos poucos, de modo que ela
venha a se alimentar de maneira correta.
Quando
vejo Marina pela primeira vez ela entra sozinha, tranquila mas sem muita coisa
pra me dizer. Me conta que tem dor de ouvido. Digo que sua mãe me havia dito
que também dor de barriga. Ela não rende o assunto. Pergunto se pode desenhar
algo pra mim. Ela desenha uma menina, com chão, céu, nuvens, sol. A menina tem
pintinhas no sapato, no vestido, no fundo do desenho, tudo para enfeitar. Mas
ela não tem nome nem história. Seu vestido vai cair, mas logo ela desvia esse
assunto. Ela me conta que foi sua mãe que escolheu sua roupa e vestiu rápido
para não atrasar. Diz que gosta de brincar de Barbie, de vestir as Barbies. Sua
brincadeira não tem enredo, é apenas trocar as roupas. Logo ela começa a
desenhar alimentos. A empregada faz um leitinho delicioso pra ela, mas pra mim
ela vai dar é uma gororoba. Uma gororoba que tem meleca, xixi, cocô e um pum.
Sua irmã
toma leite na mamadeira à noite, mas ela acha que deu a dela para o papai noel,
não tem muita certeza disso, vai procurar na gaveta pra ver.
Desenha
uma menina, escreve seu nome com letras bem juntas atrás e diz que ia fazer uma
cozinha, mas saiu errado. Desenha carinhas nas pontas dos dedos e conta até
cinco em inglês. Seu pai é que lhe ensinou, porque sua amiga já sabia. Seu pai
te ensinou a contar? É, eu demorei muito. Pergunto o que mais o pai ensinou a
contar. Ela disse que ele conta a história dos pais dele todos os dias para ela
dormir, da Maria e do José e na história a Maria sempre tem um bebê. Na
verdade, ela tem vários, só seu pai é homem. Pergunto se ela já contou quantos.
Ela não sabe.
Desenha o
fogão e a geladeira, com “detalhes” no fogão. Os bebês não vêm do fogão, me diz
ela, mas da barriga.
Vemos
então que o corpo de Marina é um corpo onde os orifícios estão pouco
orientados. E essa desorganização é provocada pela vinda de uma irmã da qual
ela tem muito ciúme e que a obriga a buscar construir uma teoria sexual.
Entretanto, ela não sabe contar essa estória, e o que surge é uma teoria onde
bebês e alimento se confundem, eles entram pela boca no corpo.
O que o
pai posteriormente me conta é a estória que contava a Marina todas as noites.
Ele é realmente o único filho homem de sua mãe, depois de oito irmãs.
Entretanto, essa mãe teve um câncer de mama e não deveria ter outras
gravidezes, já que ela não poderia tomar medicamentos no período de gestação.
Entretanto, como na estória de todas as noites, a Maria insistia em namorar o
José e querer lhe dar um bebê menino. Enquanto o menino não chegava, ela ia
tendo meninas. A cada vez ela tinha mais um bebê. Essa avó morre quando o filho
tinha três anos de idade e ele não tem lembranças dela. O que ele tem é essa
invenção, essa história de amor de uma mulher que quer dar tudo, até a própria
vida como prova de seu amor para satisfazer o desejo de um homem. Uma mulher
sem limites. A história divertida é, no fundo trágica, e é uma história que
esse pai conta para sua filha ao mesmo tempo em que conta para si mesmo.
Marina
desenha um calendário. Nele, cada dia tem um número e cada número tem um lugar.
É dessa maneira que ela tenta cifrar esse gozo mortífero que ela herda com seu
nascimento.
É possível
medicalizar esse sintoma? É possível reduzi-lo a um sintoma comum a vários? O
tratamento de Marina tem me ensinado que o tempo de tratamento não é breve,
mesmo porque se ela agora pode se alimentar e se divertir com outras crianças,
ela ainda trabalha parater mais
autonomia, ser autora de sua história.
Se estamos
falando de um mundo onde o desejo de saber parece ter saído de cena, onde não
temos mais acesso ao alfabeto que permitiria a leitura, a posição do analista
leva em conta que o desejo de saber se apoia sobre um não saber. Não basta
estar na posição de escuta. A clínica psicanalítica do século XXI é uma clínica
definida pela exigência de distinguir os modos de fracassar ante o sintoma. A
experiência de análise é marcada pelo incurável da condição do falasser. Partir
do conceito de sinthoma para orientar nossa clínica é um caminho indicado por
Miller e que diferentemente de colocar em questão um “saber fazer”, gira em
torno de um “saber se virar” com o sintoma. Diante da clínica, não nos
inscrevemos numa linhagem técnica, mas nos colocamos diante de um singular sem
um saber prévio e que dá lugar ao real como contingente. E isso leva tempo.
É preciso
tempo para que o sujeito encontre seu alfabeto singular, seu calendário, sua
série significante e possa dessa maneira se autorizar como responsável por seu
gozo.
Para
concluir, penso que a criança de nossos tempos nos ensina seu estatuto de
dejeto, tanto do simbólico e como da ciência. E nos ensina que nossa política
deve ser uma alternativa à indiferença da criança generalizada. Isso implica em
dar lugar à posição do sujeito como sintoma. Essa posição é totalmente distinta
da posição idealizante, irrealizante e mortificante da catalogação do ser
falante como indivíduo medido e enquadrado nas normas da ordem pública. É essa
a política que a psicanálise pode oferecer ao tratamento da infância, para que
ela retome seu estatuto de “camada mais fértil da vida”[1]. Que nós, psicanalistas, saibamos colher os frutos do inconsciente que
fala pela boca das crianças.
[1]Nicolas Behr, citado
por Manoel de Barros em Escritos em verbal de ave, São Paulo: Ed. Leya, 2011.