@DDito 4
Boletim da XVII Jornada da EBP-MG
Tem algo de novo nessa Jornada, não há rotina nisso!
A primeira
novidade é seu local: "A política da psicanálise na era do direito ao gozo” acontecerá no meio da cidade, na Praça da Estação, no Espaço Cultural 104, onde era o antigo chão da fabrica de tecidos. Até
agora, temos apenas espaços abertos, um vão vazio, aguardando a montagem
que inventarmos. Será por certo um lugar acolhedor,
que nos convide a falar com o Outro de nossa época,
como propõe Judith Miller.
Nessa edição, Jorge Pimenta nos entrega uma leitura deliciosa do tempo
que passa e do que não muda, um flash que enlaça o momento da instalação da Fabrica de Tecidos 104,
no século passado, ao momento atual
da realização da nossa Jornada. A praça é do povo?
Em tempo: as inscrições estão abertas! Faça à sua maneira: 4x, 3x, 2x ou de
uma única vez. Se você estiver mais longe e não
sabe como se aproximar, onde ficar, procure a A&C Viagens que preparou
diversas opções para você encontrar o seu jeito de chegar e participar. Assim
esperamos realizar uma Jornada marcada por uma conversa animada e forte, por
sua heterogeneidade. Veja as condições, no final dessa edição.
Boa
Leitura!
Fernanda Otoni
de Barros-Brisset
Coordenadora da XVII Jornada
Coordenadora da XVII Jornada
Flash
Praça da Estação 104. A praça é do povo?
Jorge Pimenta
No endereço nº 104 da Praça da Estação a EBP-MG fará sua XVII Jornada que tem como título “A política da psicanálise na era do direito ao gozo”, nos dias 26 e 27 de outubro. Ocuparemos assim um local
importante na história de Belo Horizonte, cidade
construída na régua e compasso da proposta positivista como esteio para
interiorização e avanço do capitalismo e não só proposta como local da futura capital de Minas Gerais.
Aprendemos muito
recentemente que a reapropriação de espaços saturados ou degradados das cidades, sejam elas históricas ou recém-centenárias, como Belo Horizonte (118 anos!), nos indica que tais
propostas significam ampliar e dar consequências ao que se designa como sendo
a criação de novos locais de convivência, locais de encontros e convergências.
Na Praça da Estação, onde se situa antiga estação ferroviária da EFCB que passou a
abrigar em seu interior o Museu de Artes e Ofícios,
o endereço de número 104 - o que antes era uma fábrica de tecidos é hoje um local para eventos
diversos, as dependências da antiga Escola de
Engenharia da Universidade de Minas Gerais (depois UFMG), abrigam hoje um
Centro Cultural. Tais espaços ilustram muito bem essa
retomada no sentido de torná-los vivos à cidade e para seus usuários.
Trata-se de que a cidade não é só o lócus da produção e da reprodução das relações sociais produtivas, com as
moradias e os prédios com sua habitabilidade
pelos trabalhadores urbanos pensados somente no que representam no circuito de
geração de valores da produção capitalista.
Esses espaços podem sim ser reapropriados, possibilitando seu uso em
atividades cívicas, políticas, lúdicas, culturais para que se
tornem vivos e até sirvam de crítica à “ditadura do tráfego/trânsito”, à velocidade e à pressa da aceleração temporal exigida pelo contemporâneo.
O poeta
Castro Alves em “Povo ao Poder”, propunha: “a praça é do povo, como o céu é do condor”, no que foi ironicamente contestado pelo nosso poeta
maior, Carlos Drummond de Andrade: “A praça! A praça é do povo? Não meu valente Castro Alves,
engano seu. A praça é dos automóveis. Com parquímetro.” Esse esforço de poesia é muito caro a nós psicanalistas. Se a crítica
ao uso do espaço público tornado privado e ainda mais capitalista faz sentido,
o que a psicanálise tem a ver com isso que é da ordem da segregação espaço temporal, fundamento do capitalismo?
