L'INCS #6 - 6. CONEXÕES



Pedro Moraleida (1977 – 1999): Casal se auto alimentando, s/d.
 




Sobre Conexões: uma nota



Por Fabrício Junior Ribeiro e Margaret Couto



Em conexão com a XXI Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Minas Gerais, aconteceu nesta última quinta-feira, dia 05 de outubro, no Curso de Psicologia do Centro Universitário Newton Paiva, a apresentação de dois casos clínicos atendidos na Clínica Escola que permitiram encontrar de modo vivo o tema da jornada deste ano O Inconsciente e a Diferença Sexual: o que há de novo?

A psicanalista e membro da Associação Mundial de Psicanálise Andrea Eulálio e os professores Fabrício Junior Ribeiro e Margaret Couto, mediadores do debate, puderam elucidar para os acadêmicos do curso, a partir do caso de uma criança, como a realidade do inconsciente é sexual. A diferença dos sexos não é para a psicanálise a diferença anatômica, e se esta tem algum valor é por suas consequências psíquicas onde o falo se apresenta como o significante do desejo. O falo é o único ponto de referência para os dois sexos no inconsciente inexistindo, portanto, a diferença sexual. De que maneira será possível então para o sujeito subjetivar o seu sexo? Quais soluções o sujeito encontrará para subjetivar seu sexo no mundo contemporâneo?

Outra discussão realizada, a partir de um segundo caso, de uma mulher, trouxe a pergunta em conexão a outro eixo da jornada: Ligações inconscientes. Qual o lugar para o amor? A discussão sobre o caso esclareceu a afirmação lacaniana que a relação sexual não existe. Trata-se da ideia de que para o ser falante haveria uma ausência de saber no real que diga respeito à sexualidade, ou seja, de que se existe o ato sexual, ele não basta para que os parceiros se reconheçam mutuamente. No encontro entre dois corpos é impossível fazer Um. Cada um está às voltas com seu sintoma, com sua fantasia e com sua forma de gozo. Por outro lado, o amor é o que sempre supre a inexistência da relação sexual, pois a crença nessa ilusão impulsiona o sujeito em busca de um parceiro e, por outro, deixa-o permanentemente exilado em seu próprio gozo. Qual saída o sujeito encontrará para sair da solidão e inventar, sob o fundo de um impossível, o amor? Qual a função do amor para um sujeito feminino?






Uma criança é abusada. Efeitos de uma fantasia materna.


Por Lucia Mello


A secção clínica promovida por Suzana Barroso no Laboratório de Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica - PUC Minas trabalhou questões suscitadas por um caso atendido no ambulatório daquela instituição, enriquecido pelos comentários de Lilany Pacheco. Trata-se de criança de seis anos manifestando inquietude desde os dois, ainda na cadeirinha de bebê. A mãe, desde essa época interpreta como masturbação esse corpo que se agita. Diante dessa filha, ao mesmo tempo seu bem mais precioso e depositária de seus temores de abuso convoca a diretora da escola para em coro com a fantasia materna, filmar e exibir a criança que se masturba em sala de aula, colocando em ato o abuso temido. A mãe e a diretora da escola se imiscuem com suas fantasias antecipando, interferindo em uma operação a se fazer em três registros do lado do sujeito, construção sobre a sexualidade feminina. A menina, capturada no jogo entre enunciado e enunciação tenta com suas invenções construir corpos e vestes, criar esculturas, na tentativa de separação de um voto marcado pelo imperativo de gozo, presença dos mistérios do desejo e das equivocidades da língua. Nessa experiência, quando indagada sobre o esquecimento de seu problema, responde desafiadora à mãe: “Como posso esquecer? Você me lembra disso a toda hora”. Falar com seu corpo está no horizonte de toda interpretação e problemas do desejo como diz Miller. Essa menina o demonstra ao iniciar um esforço de exílio se indispondo com o discurso do Outro.


http://jornadaebpmg.blogspot.com.br/2017/10/lincs-6-1-editorial.html


 


Jornada EBP-MG