ENVIO DE TRABALHOS PARA A XVI JORNADA DA EBP-MG



XVI Jornada da EBP-MG - 28 e 29 de outubro de 2011
Convidado internacional: François Leguil

VACILAÇÕES DO SIMBÓLICO, INSTABILIDADES DO IMAGINÁRIO E CASUALIDADES DO REAL
como se analisa hoje

 (Coordenação: Sérgio Laia)

A tríade Simbólico, Imaginário e Real atravessa, com conotações e arranjos diferentes, do início ao fim, todo o ensino de Lacan. A Seção Minas Gerais da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP-MG) também vai se dedicar a ela, alinhando-se ao tema do IX Congresso da Associação Mundial de Psicanálise (AMP), consagrado às consequências, para o tratamento analítico, da mudança da ordem simbólica em nosso século.

Simbólico, Imaginário e Real foram uma espécie de bússola, na última década de 50, para Lacan realizar o famoso “retorno a Freud”. Duas décadas e meia depois, ele vai utilizá-la, abreviando-lhe as letras iniciais, para intitular um Seminário — R.S.I. — em que a preponderância do Simbólico sobre o Imaginário e o Real, ressaltada anteriormente, será questionada. Esse questionamento não deixa de ser uma antecipação do que ganhará visibilidade quase trinta anos depois do R.S.I.: a ordem simbólica não é mais o que já foi. Entretanto, se os símbolos não têm a mesma eficácia de antes na organização da cultura, da subjetividade e da vida, tal precariedade é experimentada também no Imaginário porque, por mais que vivamos em um mundo cada vez mais tomado pelas imagens, o poder e a permanência delas é inversamente proporcional à força dessa invasão: as imagens são inúmeras e variados são os modos pelos quais nos fascinam e referenciam nossos corpos, mas sua multiplicidade é também marca de sua enorme instabilidade. Com tais vacilações do Simbólico e instabilidades do Imaginário, cada um poderá se ver mais exposto às casualidades do Real, ao que Lacan designou como “o Real sem lei”, à ausência de ligação própria ao Real e que pode tomar a forma do pânico que mascara a angústia inominável, da busca frenética pela satisfação jamais encontrada, da perda do sentido que jamais se teve...

Em outras Jornadas da EBP-MG, já trabalhamos várias facetas dessa mudança da ordem simbólica: novas formas de manifestação das psicoses, os declínios da virilidade e da função paterna, a compulsão em jogo nas atuações e nos sintomas contemporâneos, o desaparecimento da infância, a segregação... Agora, frente aos desarranjos que afetam a tríade Simbólico, Imaginário e Real, interessa-nos apresentar como se analisa hoje, ou seja, como temos enfrentado o que parece escapar de todo manejo, como lidamos, no cotidiano de nossa clínica, com as manifestações trazidas pelos sujeitos que, direta ou indiretamente, chegam até nós corporificando as vacilações do Simbólico, as instabilidades do Imaginário e as casualidades do Real. Cada texto destinado à XVI Jornada da EBP-MG poderá se pautar por um dos três eixos seguintes:

I – A precariedade das elaborações diante do imperativo da satisfação: a crescente exigência de satisfação que marca o ritmo de nossas vidas cotidianas tem feito com que muitos sujeitos, procurando ou sendo endereçados a um tratamento, apresentem uma precariedade das elaborações referentes a seus sofrimentos e “atuações”. Se a elaboração é, segundo Freud, um recurso inestimável para o analisante enfrentar o que resiste a encontrar uma solução, interessa-nos evidenciar como a clínica psicanalítica lida hoje com aqueles que, mesmo mobilizados por seus tratamentos, apresentam dificuldades em elaborar o que lhes afeta.

II – Ressonâncias da interpretação frente ao silêncio da pulsão de morte: a interpretação, desde Freud, é um recurso que os analistas têm para fazer uma análise avançar para além das barreiras do que se permite dizer. Entretanto, já na clínica freudiana, uma força que se defende contra o restabelecimento e se apega à doença e ao sofrimento muitas vezes se fazia surda às interpretações. Trata-se, assim, de evidenciar quais ressonâncias tem a interpretação em contextos (cada vez mais atuais) em que o silêncio da pulsão de morte é capaz de, por exemplo, inibir a fala, exaltar as “atuações”, favorecer modos mortíferos de satisfação.

III – “Primeiro o amor, depois o saber” — novos manejos da transferência: confrontado ao que não era passível de recordação e de elaboração sobre o recalcado, Freud fez da transferência um instrumento para o analisante saber do que se tentava ocultar. Entretanto, hoje, são mais espessos e contundentes os modos como muitos sujeitos corporificam um não querer saber de nada disso que lhes faz sofrer e lhes precipita os atos. Nessas situações, a indicação “primeiro o amor, depois o saber”, evocada por Jacques-Alain Miller em “Uma fantasia”, poderá configurar novos manejos da transferência, e será oportuno evidenciá-los.


INFORMAÇÕES SOBRE APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

ENVIO DOS TEXTOS: entre os dias 1º e 20 de agosto de 2011, os textos deverão ser destinados ao e-mail de Lúcia Grossi  lgrossi.bhe@terra.com.br.
FORMATO: solicita-se que cada texto, privilegiando casos clínicos ou situações institucionais, apresente claramente a indicação quanto a qual dos três eixos propostos acima ele se refere; o número máximo de caracteres é 6000, incluindo espaços e notas, na fonte Times New Roman.


INFORMAÇÕES SOBRE INSCRIÇÕES
EBP-MG
De segunda à quinta-feira (15h às 21h); sextas-feira (15h às 18h)
Rua Felipe dos Santos, 588 – Lourdes – Belo Horizonte – Minas Gerais
Telefone: (31) 3292-5776
e-mail ebpmg.bhe@terra.com.br


LOCAL DA JORNADA
Hotel Mercure (Av. Contorno, 7315 – Lourdes – Belo Horizonte – Minas Gerais)

COMISSÕES:
Científica: Lúcia Grossi (coordenadora), Helenice de Castro, Márcia Rosa, Suzana Faleiro Barroso, Sérgio de Campos e Sérgio Laia.
Divulgação: Cristina Nogueira (coordenadora), Andréia Guerra, Edméia Nogueira, Fernando Casula, Fabrício Ribeiro,  Inês Seabra de Abreu Rocha, Robson Campos e Mônica Lima.
Infraestrutura: Márcia de Souza Mezêncio (coordenadora), Ana Elisa Maciel, Antônio Morelli, Kátia Mariás, Luciana Silviano Brandão, Luzmarina Morelo, Marcelo Quintão, Maria Angélica Medrado, Maria das Graças Sena e Maria Wilma de Faria.
Livraria: Mônica Campos Silva (coordenadora), Beatriz Espírito Santo e Fernanda Costa.
Tesouraria e patrocínio: Alessandra Thomaz Rocha (coordenadora), Ana Lydia Santiago, Beatriz Espírito Santo, Cristiane Barreto, Helenice de Castro, Lilany Pacheco, Maria Inácia Freitas e Samyra Assad

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