quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quereres II



Quereres II

Nesta segunda edição, Quereres inaugura a coluna “Você sabia que?” com curiosidades, dados, informações e história sobre a maternidade (Leia mais).


Além da estréia de nossa nova coluna, Quereres traz informações sobre envio de trabalho Veja aqui.


No próximo dia 23, quinta-feira, acontecerá na Seção Minas o I Seminário Preparatório rumo a XIX Jornada da EBP-MG “O que quer a mãe, hoje? Sintomas contemporâneos da maternidade” com apresentação de Jésus Santiago (A.E em exercício) e Sérgio de Campos (Coordenador da Comissão Científica) e o debate será animado por Cristina Drummond (Coordenadora da XIX Jornada da EBP-MG).


Para este I Seminário Preparatório, Jésus Santiago irá trabalhar a partir da pergunta contida no título da Jornada, “o que quer a mãe, hoje?” e lançará algumas perguntas para fomentar a discussão: “o que acontece quando uma mulher se torna mãe? É a partir daí que os questionamentos se avolumam: ser mãe, é um desejo? Uma decisão? Uma vontade a qualquer preço? Deve-se levar em conta que ficar grávida pode revelar-se diferente do desejo de tornar-se mãe e, também, o de ter um filho. Afinal, qual é a visada, a causa do desejo de ser mãe?"


Sérgio de Campos envia um texto convidando o público para o I Seminário Preparatório, copio aqui o e-mail na íntegra;


Caros colegas, saudações!

A primeira atividade preparatória para a XIX Jornada da EBP que acontecerá no dia 23/04, quinta, às 20:30 hs, na sede da Seção Minas, terá como finalidade introduzir a questão O que quer a mãe, hoje? Ademais, nessa atividade pretendemos realizar um panorama geral sobre o tema e também abrir para o debate os eixos propostos pela Comissão Cientifica, no que concerne a interrogação sobre o desejo de maternidade, suas múltiplas formas de apresentação, as modalidades de vínculos maternos com sua prole, bem como suas consequências para os filhos, no mundo de hoje.

Não percam!

Sérgio de Campos.


Pelo grande número de visualizações, curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, sugiro que garantam seu lugar nesse I Seminário Preparatório rumo a XIX Jornada da EBP-MG “O que quer a mãe, hoje? Sintomas contemporâneos da maternidade”.

Até lá!

Miguel Antunes

Coordenador do Boletim

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Quereres I



Quereres I

Como nos é sabido, cabe ao analista lacaniano estar atento à subjetividade de sua época. Desta forma, em tempos marcado pela junção do discurso capitalista com o discurso da ciência, a EBP-MG lança sua XIX Jornada “O que quer a mãe, hoje? Sintomas contemporâneos da maternidade". Esta Jornada visa interrogar o que quer a mãe, hoje uma vez que os semblantes atuais não organizam nossa subjetividade como antes. Dentre eles, o ser mãe.
Neste ano, teremos o prazer de receber a convidada internacional, Marie-Hélène Brousse, AME da ECF.

Junto com a Jornada apresentamos o Quereres, boletim que nos acompanhará desde hoje até a realização da Jornada, e um pouquinho depois, pois quando se trata de mães, sempre há um a mais...

Neste primeiro número, Quereres apresenta as informações práticas acerca de nossa jornada, como local, valores das inscrições, membros das comissões, o argumento elaborado por Cristina Drummond, coordenadora da XIX Jornada e os eixos temáticos, elaborados Sérgio de Campos, coordenador da comissão científica e diretor da Seção Minas da EBP.

Acompanhe-nos pelo Blog e também pelo Facebook!

Miguel Antunes
Coordenador do Boletim Quereres

  
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Argumento

 

O que quer a mãe, hoje?
Sintomas contemporâneos da maternidade



A maternidade, ligada ao corpo e à reprodução, pareceu por muito tempo ser uma questão natural e evidente.  Freud ao dar lugar à palavra ousou interrogar o que ser mãe pode significar para uma mulher e deixou claro que a maternidade ultrapassa a biologia da procriação e da gestação.  Ser mãe foi uma das respostas formuladas por Freud à pergunta sobre o que quer uma mulher, no século XXI, essa resposta se converteu numa pergunta. Uma pergunta que também está dirigida aos psicanalistas. Somos convocados a pensar sobre a mudança que ocorreu em nossa contemporaneidade, promovida, sobretudo, pelo discurso da ciência e que subverteu a evidencia da maternidade fazendo dela uma opacidade.
A reprodução na atualidade parece acompanhar uma aspiração a se dispensar os limites do corpo. Desta maneira, a partir de um apagamento do corpo, longe de serem todas iguais, há uma pluralização das mães: mãe biológica, mãe simbólica, mãe solteria, mãe doadora de óvulo, mãe barriga de aluguel, mãe adotiva... Sem dúvida, temos que constatar que o parceiro atual da mãe é a ciência, que lhe possibilita de distintas maneiras o acesso à maternidade, muitas vezes dispensando a passagem pelo encontro com o outro sexo.
Pode-se dispensar a parceria amorosa e inclusive a passagem pelo corpo do Outro e o encontro com o gozo do corpo do Outro. Se para Freud a maternidade era um dos três destinos da feminilidade, essa solução já não responde às questões do feminino no contemporâneo. A maternidade se apresentava como uma consequência da contingencia do amor que se oferecia como um tratamento para o gozo feminino. Ora, a ciência coloca essa solução fora do campo do amor e, portanto, fora da situação em que o falasser feminino tem que ceder algo de seu gozo. As chances de que a criança se situe como metáfora do falo se encontram, dessa maneira, dificultadas. Nada garante que nessa operação de reprodução o amor ou o desejo estejam implicados. Nada garante que a mãe seja mais certíssima como outrora.
Com o declínio da função paterna, a paternidade deixa de ser uma ficção legal para se tornar cada vez mais uma realidade biológica. As mulheres ficam assim mais assujeitadas a seu gozo silencioso e que dispensa um encontro contingente com o falo. Com quem uma mulher faz um filho? Com um homem? Com uma mulher? Com uma tecnologia? Consigo mesma? A quem esse filho estaria endereçado? Essas novas maternidades nos falam de novos modos de laço com o filho.
Esse tema é, sobretudo, um tema clínico, já que é a orientação do real da clínica que tem a possibilidade de nos indicar os efeitos dessas mudanças sobre os falasseres. Já tratamos muito dos sintomas que dispensam o simbólico, que não se inscrevem na palavra. Agora, teremos uma oportunidade de verificar os efeitos feminizantes de nosso mundo a partir de uma aproximação do tema do gozo feminino em sua relação com a maternidade.
É a psicanálise que possibilita um caminho para além do imaginário e dos ideais de maternidade e que permite fazer surgir o real, em questão, na maternidade. É localizando esse real que podemos ir além das fantasias e das ficções sobre a maternidade que se apresenta de formas múltiplas e não deixam de ter uma forte influência da cultura. Podemos ir além do modelo de uma relação natural e fusional entre a mãe e seu filho e revelar junto com Lacan que a criança é um objeto que se articula com a falta materna. Assim, podemos distinguir o desejo de ficar grávida do desejo de tornar-se mãe e ainda do desejo de ter um filho, posições diferentes que decorrem de gozos distintos. Podemos nos perguntar o que pode, no percurso de uma maternidade, satisfazer, angustiar ou desestabilizar o falasser.
Em que lugar o objeto criança se coloca nessas novas relações? Ao se tornar mãe, deixa-se de ser mulher ou ainda tem-se que reinventar a relação com o feminino tal como indica um blog atual: “vida pós-maternidade?” Os ideais, a tradição e as constituições que organizaram as famílias e a maternidade parecem não nos servirem mais como enquadramento. As famílias se inscrevem muito mais como existência do que como modelos. Esse nível da existência que é da ordem do particular traz seguramente problemas para ser pensado como universal a ser legislado. Afinal, o real oferece uma chance à psicanálise.

Assim, nossas jornadas tratam de um tema que mobiliza os debates contemporâneos, mais além da interlocução com outros discursos, vamos buscar situar a maternidade como um real mais além do sentido. É sobre esse real que vamos nos debruçar, buscando abordá-lo pelo viés dos problemas e impasses que os falasseres nos colocam no cotidiano de nossa clínica. Afinal, os psicanalistas devem estar consonantes com a subjetividade de sua época para estarem a altura de seu ato[1].
Cristina Drummond
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Eixos Temáticos


Eixo I: Ser mãe e os complexos familiares da atualidade
Eixo II: Ficções científicas da maternidade
Eixos III: Função materna e mãe simbólica
Eixo IV: Mãe tóxica
Eixo V: Mães loucas e loucuras maternas

Eixo I: Ser mãe e os complexos familiares da atualidade
Os complexos familiares na atualidade passam por uma metamorfose e se reconfiguram em diversas apresentações à medida que casais os homossexuais, os transexuais, os heterossexuais maduros, os celibatários ou as novas uniões de famílias recompostas pós-divórcio desejam ou alegam o direito de ter um filho. Então, indagamos qual é o lugar da mãe nos casais contemporâneos ou nos complexos familiares da atualidade. O divórcio trouxe novas questões para as mães como a guarda compartilhada, a pensão alimentícia, as separações litigiosas ou as amigáveis e a alienação parental.
Hoje um novo universo de figuras maternas se organiza em torno do filho - a mãe homossexual, a madrasta, a mãe provedora, a irmã mãe, a avó mãe, a mãe madura, a mãe adolescente, a mãe adotiva, a mãe da reprodução assistida, a mãe solteira, a mãe abandonada, a mãe-mulher de sucesso profissional, entre outras – e trazem cada qual questões singulares e polêmicas diante de um mundo sem padrão e em transformação vertiginosa.
A diferença entre pai e mãe se tornou obsoleta nos casais homoparentais ou foi suprimida nos celibatários masculinos que desejam ter um filho? A ciência ao criar recursos de concepção cada vez mais sofisticados, e diante da diversidade da escolha de ter filhos, nos faz experimentar uma nova máxima de que pater e mater sempre incertus? Contudo, o aborto continua sendo uma opção para algumas e mesmo o fato de não desejarem ter filhos por inúmeras razões, surge como uma escolha para outras.
Percebe-se que a questão do corpo mãe não cessa de se inscrever no coração das discussões, dos conflitos e das controvérsias em torno da maternidade. A partir de diferentes representações, foi agregado ao parto, diversos adjetivos: o parto normal, o parto sem dor, o parto cesárea, o parto na água, o parto no domicilio, o parto humanizado, o parto de cócoras, o parto Leboyer, o parto natural, o parto com fórceps, entre outros. Os modelos de partos alternativos encetam uma ruptura com o modelo tradicional médico e se propõe ancorar na sabedoria natural das mulheres.
O parto assumiu uma conotação política dentro e fora da família contemporânea. Portanto, existe todo um debate para escolher a modalidade do parto, se ele será uma cesárea ou o parto normal e as mulheres, sobretudo, depois da emancipação feminina, desejam ser protagonistas e não querem abrir mão de tal escolha[2]. Assim, “o movimento pelo parto normal” adquiriu conotações políticas no qual estão arrolados em torno da gestante, e, muitas vezes, em posições antagônicas, os obstetras, as enfermeiras, as doulas, as lideranças comunitárias, as assistentes sociais e a família. Enfim, a maternidade como escolha para a mulher se tornou paradigma da família contemporânea e esse fato nos faz indagar qual é o papel do analista hoje diante dos impasses decorrentes de um mundo sem balizas.

Eixo II: Ficções científicas da maternidade
A maternidade é uma experiência única que ao mesmo tempo conjuga o desejo, o corpo e a subjetividade. Entretanto, recentemente, um quarto laço entrou em cena para amarrar os três anteriores: a ciência. As últimas décadas, a ciência médica se dedicou à pesquisa com a finalidade de aprimorar a efetividade da fecundação, a segurança da gestação, a diminuição da mortalidade materno-infantil no parto e o conforto no aleitamento. Assim, a reprodução assistida tem se emancipado, gradativamente, da esfera sexual, de maneira que ao ser manipulada pela ciência, a maternidade constitui todo um domínio de atuação bio-tecnológico[3].
No contemporâneo - com os adventos dos contraceptivos cada vez mais elaborados - a maternidade deixou de ser uma obrigação para as mulheres. Escolher o momento certo de engravidar se tornou uma realidade para elas. A seleção e o congelamento de óvulos aparecem como alternativas para mulheres solteiras que não encontram o parceiro certo ou para casadas que querem adiar a gravidez em virtude das exigências da carreira e do trabalho.
Ademais, a maternidade hoje, além de ser biológica e científica e proporcionar papéis sociais distintos e singularidades, ela habita os espaços de desejo do sujeito, os interstícios da célula familiar, o fulcro do debate dos direitos da mulher, o cerne da polêmica do discurso feminista e o apoio da política de natalidade governamental. Portanto, é nos impasses que surgem dentro desse caldo de cultura, fruto da ciência, que o analista é convidado colocar sua colher de pau. Assim, resta-nos utilizar - como Miller o fez em Televisão - as três perguntas de Kant: O que posso saber? O que deveríamos fazer? O que podemos esperar?

Eixo III: Função materna e mãe simbólica
A partir dos anos sessenta, as mulheres mergulharam de cabeça no mercado de trabalho. Duas consequências irrefutáveis surgiram desse fato: a prorrogação da decisão de engravidarem para o tempo limite de fertilidade e a ajuda de terceiros, como enfermeiras especializadas, babás e creches, nos cuidados dos recém-nascidos e da educação dos filhos pequenos. Então, em virtude do tempo escasso no convívio entre mães e filhos, é justo indagar como estamos no que concerne à mãe simbólica e questão do dom? No jogo simbólico, entre presença e ausência, quando o objeto está ausente, surge o apelo da criança; no entanto, diante da presença do objeto, o dom nasce, essencialmente, por detrás da relação objetal e se expressa sob o signo de amor. Nos casos em que há um fracasso da mãe simbólica, a criança cada vez mais encontra na captura oral do objeto real, um substituto de satisfação como compensação, o que acentua a demanda e apaga fundamentalmente o desejo. Em consequência desses acontecimentos, há toda uma emergência de sintomas diversos relacionados à precariedade simbólica e à pulsão oral, tais como bulimia, anorexia, compulsão alimentar, obesidade, toxicomania, entre outros. A questão que se impõe aos analistas é responder, como conciliar a função materna com as exigências do mundo moderno. Como auxiliar os falasseres a encontrarem saídas para esses impasses na qual a mãe simbólica está colocada à prova?

Eixo IV: Mães tóxicas
No cenário contemporâneo, onde a lei paterna hesita, emerge um novo paradigma de mãe que poderíamos denominá-la de mãe insaciável em sua nova versão. Trata-se da mãe tóxica, uma espécie de nova mãe crocodilo que com sua bocarra, intoxica com suas palavras e atos as relações com seus filhos, estimula a dependência psíquica e acarreta todos os tipos de impasses para que haja uma separação simbólica.
Na clínica, encontramos mães que invejam suas filhas e filhos. Essas mães desejam o melhor para sua prole, mas boicotam todo sucesso deles e quando os mesmos conseguem se superar, elas se remoem de inveja. Essas mães se tornam ciumentas e chegam a se tornar rivais de suas próprias filhas, disputando a atenção de seus namorados. Imiscuem na vida sexual das filhas querendo saber dos detalhes de suas intimidades. Trazem suas filhas como reféns de seu cativeiro amoroso. Semeiam intrigas, visto que como pivô, manipulam os filhos, jogando um irmão contra o outro. Adotam a postura de vítimas ocasionando culpa aos filhos.
Hoje, algumas mulheres querem ter filhos, mas jamais desejaram se tornar mães. Num mecanismo de compensação, superprotegem os filhos com a finalidade de aliviar a culpa de não os terem desejado. Portanto, combinam superproteção com repressão ácida, crítica sarcástica e julgamento irônico. Por não tolerar os filhos, cedem a todo o tipo de demanda deles, substituindo o dom do amor pelos objetos de consumo. Criticam ferozmente com adjetivos negativos e impropérios que contribuem para a baixa estima dos filhos, ao mesmo tempo em que exigem mediante imperativos supergóicos de serem os melhores. A devastação, os transtornos alimentares, entre outros estão entre os efeitos desse amor materno sem lei, contaminado pela paixão de posse e de exclusividade, onde se mescla o ódio e a ternura.

Eixo V: Mães loucas e loucuras Maternas
Tornar-se mãe é uma experiência transformadora na vida de qualquer mulher, seja ela, benéfica ou maléfica. A mulher não é mais submetida a uma gravidez contra sua vontade, mas se tornou razão de escolha e até mesmo de exigência.  Contudo, o desafio que permanece para ela é saber lidar com seu filho num horizonte onde desponta a clínica da separação. Uma mãe extremamente presente que responde sempre todas as demandas da criança e que a impede de se fazer sujeito entre a alternância da ausência e da presença abole todas as possibilidades de separação. Assim, a díade narcísica mãe-criança passa a ter dificuldade de renunciar ao laço indissociável de erotização.
O impedimento de separação e a fixação materna estabelecem inúmeras consequências. Se, do lado da criança, a dificuldade de separação se expressa em vários graus e em diversas estruturas psíquicas, de tal sorte que encontramos a precariedade de simbolização, as anorexias, as bulimias, toda sorte de psicoses, as relações fusionais e os autismos. Em contrapartida; do lado da mãe, encontramos a depressão pós-parto, a psicose puerperal, os desencadeamentos psicóticos, os estados de despersonalizações, as desestabilizações psíquicas como a compulsão alimentar, a obesidade, os sentimentos de angústia e de frustrações, além do luto e da melancolia até o infanticídio.
Tornar-se mãe, muitas vezes, é uma das saídas neuróticas para uma mulher se separar de sua própria mãe. Algumas mulheres tem a dificuldade de declinar de sua condição de ser o elã amoroso de seu filho. Assim, certas mães utilizam seus filhos como objetos de posse, coerção e poder, de maneira que elas se recusam a permitir que seus filhos partam quando estão maiores, utilizando toda sorte de recursos que vai do drama ao masoquismo explícito, passando pela chantagem emocional, incutindo nos filhos um sentimento de culpabilidade, sofrimento, ameaças e terrorismos[4].
As loucuras maternas emergem ou se acentuam nos momentos de separação de seus parceiros ou em casos divórcios. Por vezes, as mães instalam uma cumplicidade incestuosa com os filhos e desafiam os serviços sociais que contestam as manipulações sobre eles, abolem o papel do pai, ignoram o sistema jurídico, desconhecem o sofrimento das crianças e transformam o corpo do filho em peças de convicção, por vezes delirante. Com alguma frequência não permitem os pais visitarem os seus filhos. Ademais, expressam injúrias, praticando alienação parental ou acusam os pais, os padrastos ou os companheiros de maus tratos e abusos sexuais com as crianças com a finalidade de punir e se vingar de seus parceiros para se beneficiarem da guarda dos filhos[5].
É nesse antro de querelas que muitas vezes o analista tem que intervir, buscando condições de possibilidades de uma separação, primeiro, para que o falasser possa inventar novamente uma mulher, que seja causa de desejo para alguém, recuperando-lhe sua capacidade de lidar com o feminino; e, por último, para que a criança possa conceber uma resposta diferente do destino que as teias inexoráveis da maternidade lhe aguardavam.

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Inscrições

Até 10 de agosto: A vista ou em 3 cheques (10/08; 10/09/; 10/10)
280.00 Membros e profissionais
210.00 Alunos do Instituto e servidor público
120.00 Estudantes

Até 10 de setembro: a vista ou em 2 cheques (10/09 e 10/10)
300.00 Membros EBP e profissionais
230.00 Alunos do Instituto e servidor público
140.00 Estudantes

Até 10 de outubro: A vista
320,OO Membros EBP e profissionais
250.00 Alunos do Instituto e servidor público
160.00 Estudantes

As inscrições devem ser feitas na secretaria da EBP-MG, de 15h às 21 h (de segunda a quinta-feira) e de 15h às 18h (às sextas-feira). Os valores deverão ser pagos em dinheiro ou cheque.
Endereço: Rua Felipe dos Santos, 588, Lourdes, BH. Tel.: (31) 3292-5776.

Inscrições por Email

Este ano, você poderá fazer a sua inscrição enviando um comprovante de depósito identificado junto com seus dados pessoais para o email da EBP-MG: jornadaebpmg@gmail.com (Assunto: inscrição para a XIX Jornada).
* Alunos do IPSMMG, servidores públicos e estudantes de graduação têm desconto especial desde que enviem também documento de comprovação.

Dados pessoais a serem enviados por email :
1. Nome completo;
2. Modalidade da inscrição (membro ou aderente da EBP; profissional; aluno do IPSM-MG; servidor público; estudante de graduação);
3. Endereço Completo;
4. CPF;
5. Email e telefones de contato.

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Comissões da XIX Jornada da EBP-MG

Comissão do Boletim Quereres
Elizabeth Medeiros, Ernesto Anzalone, Fabiana Baptista, Fabrício Ribeiro, Fernanda Costa, Fernanda Otoni Brisset, Helenice Saldanha de Castro, Isabela Silveira, João Gabriel Guimarães, Lisley Braun Toniolo, Maria Amélia Tostes, Michelle Sena, Miguel Antunes (Coordenador), Renata Dinardi, Vicente Nardin e Yolanda Vilela

Comissão Científica
Cristiana Pittella de Mattos, Cristina Drummond, Cristina Vidigal, Elisa Alvarenga, Inês Seabra, Lilany Pacheco, Lúcia Mello, Lucíola Macedo, Simone Souto, Sérgio de Campos (Coordenador) e Suzana Barroso

Comissão de Divulgação
Anamaris Pinto, Cristina Nogueira, Fernanda Costa, Guilherme Beltrame, Luzmarina Morelo, Maira Soares Freitas, Márcia Bandeira, Márcia Mezêncio (Coordenadora), Maria Wilma de Faria, Samyra Assad, Victor Aguiar e Virginia Carvalho

Comissão de Infra-estrutura
Adriana De Vitta, Alessandra Thomaz Rocha (coordenadora), Andréa Eulálio, Camila
Alvarenga, Cristiane Barreto, Edmeia Nogueira, Letícia Soares, Luciana Silviano Brandão, Maria das Graças Sena, Maria Rita Guimarães, Rachel Botrel, Renata Mendonça, Sandra Espinha (coordenadora)


Comissão de Livraria
Anne Caroline Santos, Gustavo Amaral, Janaína Dornas, Marisa Vitta, Mônica Campos Silva (Coordenadora), Pamela Freitas, Paula Pimenta (Coordenadora) e Valesca Lopes

Comissão de Parcerias
Adriana Vitta, Josiane Gomes Soares, Maria Inácia Freitas (Coordenadora) e
Miguel Antunes

Comissão de Secretaria e Tesouraria
Graciela Bessa, Helenice de Castro, Ilka Ferrari, Laura Rubião, Marcelo Quintão, Maria de Fátima Ferreira (Coordenadora) e Rachel Botrel





[1] LACAN, J. Function et champ de la parole et du langage em psychanalyse, Écrits, Paris: Seuil, p321.
[2] AKRICH, M., Accouchement, In Dictionnaire du corps, ed. MARZANO, M., 2007, Paris: Press Universitaire de France, p 11.
[3] LAURENT, D. Être Mère, paris: Navarin, 2014, p 19.
[4] ZIMRA, G. Les folies mere-enfants, Paris: Berg International, 2014, p 50.
[5] ZIMRA, G. Les folies mere-enfants, Paris: Berg International, 2014, p 50.